A doença arterial periférica (DAP) é uma doença vascular altamente debilitante e mórbida que acomete cerca de 230 milhões de pessoas globalmente. Além disso, tem alta associação com doença arterial coronariana e doença cerebrovascular.
Medicações previamente estudadas (Cilostazol e pentoxifilina) para DAP demonstraram aumento em média de 40 m a distância no teste de caminhada em esteira sem melhora cardiovascular adicional, sendo que o Cilostazol é contraindicado para pacientes com insuficiência cardíaca. Tabagismo, disfunção renal, sedentarismo, dieta de baixa qualidade, obesidade, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, obesidade causam inflamação, disfunção endotelial, aterotrombose doença arterial, periférica macro e microvascular e reduzem a capacidade funcional progressivamente.
A semaglutida demonstrou em estudos prévios reduzir peso, o risco cardiometabólico, sintomas de insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, desfechos renais e desfechos cardiovasculares maiores (MACE). O objetivo do estudo STRIDE seria avaliar se a medicação (agonista do receptor de GLP-1) melhoraria o perfil glicêmico, inflamação, pressão arterial, complicações renais, obesidade, acarretando benefícios micro e macrovasculares.
Desenho do estudo
Apresentado no primeiro dia do congresso da American College of Cardiology (ACC 2025), o STRIDE foi um ensaio duplo-cego, randomizado e controlado por placebo feito em 112 locais de ensaios clínicos ambulatoriais em 20 países na América do Norte, Ásia e Europa. Foram selecionados 1.363 pacientes para elegibilidade, dos quais 792 foram randomizados 1:1 para receber semaglutida subcutânea 1,0 mg uma vez por semana durante 52 semanas (n = 396) ou placebo (n = 396).
Desfecho primário
Mudança da máxima distância caminhada (MWD) na semana 52 em relação ao basal, em teste de caminhada na esteira com carga constante (2 mph, 12% inclinação).
Desfechos secundários confirmatórios
Mudança da MWD na semana 57, mudança do questionário de qualidade de vida para DAP (VascuQoL-6) na semana 52, mudança da máxima distância caminhada sem dor nas pernas (PFWD) na semana 52.
Outros desfechos: mudança da máxima distância caminhada sem dor nas pernas (PFWD) na semana 57, mudança metabólica na semana 52 (HbA1C, lípides, peso, pressão arterial sistólica), mudança do ITB na semana 52, mudança do domínio de capacidade funcional física do questionário SF-36 na semana 52.
Critérios de inclusão
Idade de 18 anos ou mais, diabetes tipo 2 com ≥180 dias de diagnóstico, HbA1C ≤10%, DAP com claudicação intermitente (estágio IIa de Fontaine), capacidade de caminhar ≥200 m no teste de esteira sem carga e ≤600 m com carga constante e um índice tornozelo-braquial (ITB) ≤0.9 ou índice dedo do pé-braquial (IDB) ≤0.7.
Critérios de exclusão
Condições diferentes de DAP que limitam a caminhada, Cirurgia ortopédica planejada na perna ou cirurgia que afete a capacidade de andar, Revascularização vascular ≤180 dias antes da triagem ou revascularização arterial planejada, Insuficiência cardíaca NYHA Classe III–IV, IAM ou AVC ou hospitalização por angina instável ou por AIT ≤180 dias antes da triagem, Tratamento atual ou anterior com qualquer agonista do receptor de GLP-1 ≤ 90 dias antes da triagem e eGFR <30 mL/min/1,73 m2 medido nos 6 meses anteriores.
195 (25%) participantes eram mulheres e 597 (75%) eram homens. A idade média foi de 68,0 anos, IMC 28,5, 25% tabagistas ativos, 46% ex-tabagistas, 87% hipertensos, 19% com IAM prévio, LDL médio 69 mg/dL, HbA1C média 7%, 80% usavam metformina, 40% usavam ISGLT2, 32% usavam insulina, 82% estatinas, 52% AAS e 11% cilostazol.
O desfecho primário da razão MWD foi em favor da semaglutida (Ratio 1,13 [IC 95% 1,06–1,21]; p=0,0004), com melhora clinicamente significante (OR 1,79 [IC95% 1,32-2,43]; p=0,0002).
Desfechos secundários confirmatórios, de qualidade de vida e do ITB também foram positivos a favor da semaglutida.
Os eventos adversos não foram muito significativos
Seis eventos adversos sérios em cinco (1%) participantes no grupo semaglutida e nove eventos adversos sérios em seis (2%) participantes no grupo placebo foram possivelmente ou provavelmente relacionados ao tratamento, com os mais frequentes sendo eventos gastrointestinais. Não houve nenhuma morte relacionada ao tratamento.
A semaglutida melhorou a capacidade funcional e sintomas em pacientes com DAP e diabetes tipo 2 e com sugestiva melhora da perfusão pelo ITB. Houve perda de peso nos dois grupos, maior no grupo semaglutida porém com perda de peso na significativa (diferença de -4,1 kg entre os grupos) para ter influência sob a performance na caminhada.
Dia 31/03, às 20h, acompanhe a live com resumo completo do ACC 2025 com a Afya Cardiopapers!
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