Embora a faculdade e as redes de conteúdo médico enfatizem as atuações em UTI e emergências, pouco se fala sobre o ambulatório, um dos principais ambientes da prática médica.
Para aqueles que pretendem seguir carreira em Clínica Médica, subespecialidades ou atuar na atenção básica, é essencial dominar o atendimento ambulatorial.
Este artigo oferece dicas práticas para médicos residentes que estão aprimorando ou iniciando sua experiência no ambulatório, com estratégias para organizar atendimentos, otimizar o tempo, melhorar o relacionamento com pacientes e aprimorar o raciocínio clínico.
Importância do ambulatório na formação do médico residente
O ambulatório oferece uma experiência única ao residente, permitindo o acompanhamento contínuo de pacientes, essencial para o desenvolvimento de habilidades diagnósticas e terapêuticas.
Ao contrário do hospital, onde os casos são agudos e as decisões são tomadas rapidamente, o ambulatório foca na gestão de doenças crônicas e na prevenção, proporcionando uma abordagem mais gradual e a longo prazo. Isso favorece a evolução do residente no manejo de doenças crônicas, comunicação clara com o paciente e organização do raciocínio clínico, além de aprimorar a solicitação criteriosa de exames.
Esse ambiente ensina o residente a lidar com limitações de recursos e tempo, ajudando-o a priorizar decisões clínicas e a utilizar de forma racional exames e tratamentos.
A prática ambulatorial prepara o médico para atuar em diversas áreas da saúde, como a atenção primária e clínicas especializadas, proporcionando um cuidado contínuo e integral ao paciente.
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Como se destacar no atendimento ambulatorial: 5 dicas práticas
- Organize-se: Revise a agenda do dia, consulte prontuários de pacientes crônicos e planeje atendimentos conforme a complexidade dos casos. Isso ajudará a otimizar seu tempo e evitar atrasos;
- Seja objetivo: No ambulatório, o tempo de consulta é limitado. Foque nas queixas principais, utilize perguntas direcionadas e realize um exame físico eficiente para manter o ritmo do atendimento;
- Mantenha o raciocínio estruturado: Diferente do hospital, onde há suporte constante, no ambulatório o residente deve desenvolver autonomia na tomada de decisões. Use protocolos e diretrizes clínicas para guiar suas decisões;
- Aproveite a supervisão: O ambulatório é um grande momento de aprendizagem. Prepare-se antes das consultas, apresente os casos de forma clara ao preceptor e peça feedbacks sobre sua conduta;
- Crie vínculo e incentive a adesão: Muitos pacientes necessitam de acompanhamento contínuo. Explique o plano terapêutico de maneira didática, alinhe expectativas e mantenha uma comunicação empática para promover a adesão ao tratamento.
Organização e gestão de prontuários
Uma organização eficiente melhora a fluidez do atendimento e a qualidade do cuidado. Para isso:
- Revise a agenda com antecedência, identificando consultas de seguimento e novos casos que exigem mais tempo.
- Utilize resumos no prontuário, destacando diagnósticos, exames pendentes e planos terapêuticos.
- Aproveite as ferramentas do prontuário eletrônico, como alertas e modelos padronizados, para registrar informações de forma rápida e objetiva.
- Atualize os registros imediatamente após cada atendimento, garantindo continuidade no cuidado sem perder detalhes importantes.
Lidando com diferentes perfis de pacientes
Cada paciente traz uma realidade única para a consulta, e o médico deve estar preparado para lidar com diversas emoções, preocupações e até mesmo reclamações.
Para isso, é fundamental agir com inteligência emocional, respeito e paciência. Demonstrar empatia e manter uma escuta ativa são fundamentais para estabelecer uma relação de confiança e garantir que o paciente se sinta acolhido.
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Peculiaridades do raciocínio clínico ambulatorial
O raciocínio clínico ambulatorial requer uma abordagem mais criteriosa, com foco no longo prazo e em decisões baseadas em informações limitadas. As principais características incluem:
- Tomada de decisão gradual: Adotar uma abordagem conservadora, observando a evolução clínica antes de tomar medidas mais agressivas.
- Foco na prevenção e manejo de doenças crônicas: Priorizar a promoção da saúde e uma visão integral do paciente.
- Acompanhamento e ajustes terapêuticos: Monitoramento contínuo do paciente, com ajustes no tratamento conforme necessário.
- Autonomia e responsabilidade: Tomar decisões seguras com base na anamnese, exame físico e exames complementares.
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Exames complementares
A solicitação de exames no ambulatório deve ser feita de maneira criteriosa. O residente deve avaliar a real necessidade de cada exame, levando em conta fatores como custo, tempo de espera e a utilidade diagnóstica. Alguns pontos a serem considerados incluem:
- Indicação adequada: Realizar exames apenas quando as informações adicionais forem realmente necessárias para a decisão clínica;
- Custo-benefício: Priorizar exames que ofereçam o maior valor diagnóstico com o menor custo e tempo de espera;
- Monitoramento de doenças crônicas: Realizar exames periódicos de acordo com protocolos e evidências científicas, para acompanhamento de condições crônicas.
Entre as consultas
O acompanhamento contínuo é essencial no ambulatório. Isso pode ser feito agendando retornos, realizando chamadas telefônicas ou utilizando sistemas de telemedicina para revisar a evolução do paciente e ajustar o tratamento.
Além disso, é importante fornecer orientações claras ao paciente sobre quando retornar, sinais de alerta e adesão ao tratamento. Explicar corretamente o plano terapêutico e incentivar hábitos saudáveis aumentam a probabilidade de sucesso no tratamento.
Quando encaminhar o paciente?
Encaminhar o paciente é necessário quando o caso escapa da área de atuação do médico ou exige uma intervenção especializada que não pode ser realizada no ambulatório. Se o paciente não responder ao tratamento inicial ou apresentar complicações, o encaminhamento a um especialista pode ser a melhor opção.
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Apresentação de casos
A clareza e a concisão são essenciais ao apresentar casos ao preceptor. Comece com dados básicos, como nome, idade, queixa principal e histórico médico relevante, depois discuta a evolução clínica e as decisões tomadas durante o atendimento. Para aproveitar ao máximo a supervisão, seja proativo.
Foque nos pontos mais importantes, evite se perder em detalhes desnecessários e, se houver dúvidas ou pontos de incerteza, mencione-os para abrir espaço para uma discussão com o preceptor e colegas.
Feedback
Essa postura, aberta e receptiva, demonstra disposição para ouvir críticas e sugestões. Após avaliação de cada caso, questione o preceptor em relação aos seus pontos fortes e as áreas que ainda podem ser aprimoradas. Pergunte especificamente sobre o que poderia ter sido feito de maneira diferente, como otimizar o tempo com o paciente ou melhorar a comunicação durante a consulta.
O feedback não é apenas uma correção, mas uma oportunidade de refletir sobre seu próprio desempenho e identificar áreas de crescimento. Ao receber críticas, deixe de lado qualquer sombra de vaidade e busque compreender a razão por trás de cada orientação.
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