Segundo dados da ISAPS, a população brasileira é uma das principais consumidoras de procedimentos estéticos faciais minimamente invasivos. Em 2023, mais de 1 milhão de procedimentos injetáveis foram realizados no Brasil, sendo toxina botulínica (47%) e ácido hialurônico (35%) os produtos mais comuns.
Para que a realização desses procedimentos seja bem-sucedida, é fundamental análise facial criteriosa, escolha adequada do produto e técnica, além de individualização conforme particularidades anatômicas e desejo do paciente. Recentemente, a crescente realização dessas intervenções sem respeitar tais etapas tem ocasionado aumento de resultados inestéticos e, consequentemente, insatisfação e busca por reversão desses procedimentos. Assim, tem-se tornado comum os questionamentos:
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É possível reverter uma harmonização facial? Como realizar essa reversão?
A natureza do material utilizado é o fator de maior influência para sucesso desse procedimento. Por isso, revisaremos a seguir o manejo para reversão dos dois principais injetáveis realizados atualmente no Brasil.
Toxina botulínica
A neurotoxina A (BTX-A) é o subtipo utilizado atualmente para finalidade estética e tem como mecanismo de ação o bloqueio da liberação de acetilcolina na fenda pré-sináptica de neurônios motores, promovendo desnervação química seletiva e temporária da musculatura, o que atenua rugas dinâmicas faciais. Esse efeito é transitório, com duração de 3 a 6 meses.
Os efeitos indesejáveis da aplicação de BTX-A advêm principalmente da técnica e dose inadequada durante a aplicação, podendo ocorrer assimetrias faciais, ptose palpebral ou de supercílio, lagoftalmo e arqueamento excessivo das sobrancelhas. Embora transitório, pode-se acelerar a reversão do efeito da toxina por meio do uso de microcorrente. Para correção de assimetrias, pode-se optar por aplicação compensatória. Já em ptose palpebral é útil o uso de colírios agonistas alfa-adrenérgicos para ativação do músculo de muller.
Preenchimento facial com ácido hialurônico
O AH é o preenchedor facial mais utilizado, tendo elevado perfil de segurança por ser biocompatível e biodegradável. Atualmente há uma ampla diversidade de AH no mercado, que diferem principalmente em relação a características físico-químicas e reológicas. A depender de suas especificidades podem ser utilizados em praticamente toda a superfície facial, com objetivo de estruturação, volumização, definição e hidratação cutânea.
A técnica, quantidade ou tipo de AH inadequados são os principais responsáveis por resultados indesejáveis, como a Síndrome da Face Hiper Preenchida (Facial Overfilled Syndrome, FOS), efeito tyndall, nodulações dentre outras alterações.
A hialuronidase (Hyal) é uma endoglicosidase responsável pela degradação do AH, sendo a principal ferramenta para reversão de preenchimentos com esse produto. Especificações de sua aplicação como dose e número de sessões dependem do volume, localização e propriedades do AH a ser degradado. Em geral, recomenda-se a aplicação de doses menores (a partir de 1,5-10 unidades por sessão a depender da área) para reduzir risco de efeitos adversos como reação alérgica ou hipercorreção.
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O que levar para casa
Dada a complexidade da face humana e impacto que procedimentos estéticos têm na autopercepção e dinâmica social dos pacientes é fundamental realizá-los com cautela e bom senso. Embora muitas das intervenções cosmiátricas, como preenchimentos com AH e toxina botulínica, sejam transitórias e passíveis de reversão, não são isentas de riscos. Entender a individualidade de cada paciente e intervir para agregar e jamais modificar drasticamente a face é uma postura essencial para o sucesso de procedimentos cosmiátricos.
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