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Dermatologia30 setembro 2024

EADV 2024: A nova classificação da rosácea 

No contexto da rosácea, o canadense Jerry Tan abordou a nova classificação baseada em fenótipos. 
Por Mariana Santino

No congresso da European Academy of Dermatology & Venereology (EADV 2024) tivemos um bloco sobre rosácea onde o canadense Jerry Tan nos apresentou a nova classificação, a qual ele fez parte do desenvolvimento.  

EADV 2024: A nova classificação da rosácea 

Imagem de freepik

O que tínhamos até então para classificar a rosácea? 

O sistema anteriormente usado foi criado em 2002 e necessitava apenas de 1 critério primário para dar o diagnóstico, entre eles:  flushing (eritema transitório), eritema persistente, pápulas e pústulas e telangiectasias. A questão é que todos esses critérios têm valor preditivo baixo para rosácea, já que também estão presentes em outras doenças. Já os critérios secundários podem estar presentes, mas não são necessários para o diagnóstico e entre eles está a fima, que é um achado mais específico da rosácea, mas aqui não serviria para o diagnóstico.  

Também dividia a rosácea em subtipos: eritemato-telangiectásico, papulopustular, fimatoso e ocular, mas sabe-se que os pacientes costumam apresentar mais de um subtipo ao mesmo tempo. 

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Como é a nova classificação? 

A nova classificação foi desenvolvida pelo “ROSCO global panel” em 2017 e publicada em 2018. O grupo foi composto por 17 dermatologistas e 3 oftalmologistas que consentiram em classificar a rosácea de acordo com o seu fenótipo, ou seja, com as suas características clínicas. Para o diagnóstico é necessário pelo menos um critério diagnóstico (eritema centro-facial persistente, fima) ou dois critérios maiores (eritema facial transitório, pápulas e pústulas inflamatórias, telangiectasias, alterações oculares). Os critérios menores (sensação de queimação, sensação de pinicação, edema, ressecamento) também podem estar presentes, mas não são diagnósticos.  

A classificação em fenótipos parece importante para definir a abordagem terapêutica, já que uma determinada medicação pode ser boa para tratar um fenótipo e não ser para outro. Como exemplo, a ivermectina tópica é uma ótima opção para o tratamento das pápulas e pústulas da rosácea, mas não tão boa para o eritema.  

Saiba mais: Urticária: Uma revisão prática 

Outra questão que justifica a nova classificação é que um paciente pode ter eritema mais grave, mas ter pápulas e pústulas leves, por exemplo. Medir os fenótipos separadamente pode ser uma solução para escolher o tratamento e acompanhar a sua evolução. Torna-se importante também documentar os fenótipos presentes e checar o quanto cada um deles incomoda o paciente, melhorando a forma como o tratamos.  

Outro ponto interessante da palestra foi sobre o diagnóstico de pacientes de fototipos altos, raramente abordados. O palestrante destacou que a rosácea também está presente neles, mas que o diagnóstico pode ficar comprometido pela dificuldade em enxergar o eritema. Nesses casos, ele sugere focar na história de flushing, sensação de queimação ou pinicação e na presença de fatores desencadeantes típicos. E ainda, no exame, focar nas características clínicas centro-faciais e na dermatoscopia, onde podemos ver as telangiectasias. 

Mensagem prática 

A nova classificação da rosácea é um método que propõe ver o paciente através de fenótipos, baseado nas características clínicas presentes em cada paciente. Foi desenvolvido através de metodologia baseada em consenso devido à deficiência dos sistemas prévios. Ele foi feito para auxiliar os médicos, pesquisadores e os pacientes e, a partir dele, podemos rever as formas de tratamento. 

Confira os destaques do EADV 2024! 

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