A prevalência global do diabetes tipo 2 (DM2) quadruplicou nos últimos 40 anos, com mais da metade dos casos concentrados na Ásia. Intervenções dietéticas, como a Dieta Mediterrânea e a Dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), têm se mostrado eficazes para melhorar o controle glicêmico e reduzir o risco de T2D e doenças cardiovasculares. Essas dietas, ricas em frutas, vegetais, nozes, legumes e azeite, são preferíveis a abordagens focadas em nutrientes isolados. No entanto, mais estudos são necessários para avaliar a eficácia dessas intervenções em populações asiáticas com pré-diabetes, que têm maior predisposição à resistência à insulina e disfunção das células β.
A transição para uma dieta baseada em proteínas vegetais tem ganhado destaque por razões ambientais e de saúde. Leguminosas, ricas em proteínas e fibras, estão inversamente associadas ao risco de DM2 e à mortalidade por doenças cardiovasculares. Estudos clínicos mostram que dietas com baixo índice glicêmico (IG) e ricas em leguminosas melhoram o controle glicêmico, embora uma meta-análise recente não tenha encontrado uma associação significativa entre leguminosas e DM2 em todas as regiões. Embora dietas ricas em fibras, grãos integrais e antioxidantes (como especiarias) ajudem a reduzir a HbA1c e melhoram a saúde metabólica, mais pesquisas são necessárias para confirmar esses benefícios.
Pesquisas recentes destacam o papel crucial dos metabólitos do microbioma intestinal na saúde metabólica, influenciando processos como equilíbrio energético, metabolismo lipídico e controle da glicose. A ingestão de fibras modula o microbioma, produzindo ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como acetato, propionato e butirato, que regulam o metabolismo energético, reduzem inflamações e fortalecem a barreira intestinal.
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Metodologia
Este ensaio clínico controlado randomizado comparou os efeitos de duas dietas isocalóricas com controle de porções: uma baseada em leguminosas (fonte de proteína e fibras) e amidos de baixo IG, preparada com óleos vegetais saudáveis, ervas e especiarias; e outra com frango (fonte de proteína) e amidos de médio a alto IG, preparada com óleo de milho e poucos temperos. Além de avaliar marcadores glicêmicos e cardiometabólicos, o estudo analisou mudanças no microbioma intestinal ao longo de 16 semanas em 127 participantes com pré-diabetes em Singapura, com a hipótese de que a dieta de intervenção reduziria o risco de progressão para DM2.
Resultados encontrados e discussão
Os desfechos primários foram marcadores de glicemia (realizados em intervalos de 2 a 4 semanas). Ao final das 16 semanas ambos os grupos tiveram redução significativa no IMC, mas o grupo intervenção teve maior redução nos índices de LDL, colesterol total e HbA1c
Conclusão
Uma dieta rica em leguminosas pode melhorar a saúde metabólica em um população pré-diabética, além dos benefícios obtidos apenas com a restrição calórica, provavelmente por efeitos mediados por mudanças na composição e função do microbioma intestinal.
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