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Ginecologia e Obstetrícia31 janeiro 2025

Caso clínico: Úlcera vulvar aguda

Paciente, sexo feminino, 20 anos, apresenta queixa de surgimento de “lesões muito dolorosas nas partes íntimas” e dificuldade para urinar de surgimento há 5 dias. Menarca aos 11 anos. Ciclos menstruais regulares. G0 P0. Nunca teve atividade sexual. Nega comorbidades, uso de medicamentos, alergias, tabagismo.  

A paciente relata início abrupto de dor intensa em região vulvar. Apresentou também disúria e maior sensibilidade no local nas últimas 24h. Observou também que a área está edemaciada e com lesões escuras. 

A paciente refere episódios esporádicos de amigdalite viral e seu último episódio ocorreu há 2 semanas. 

úlcera

Exame físico: 

Sinais vitais sem alterações. Bom estado geral. 

Exame ginecológico: 

  • Vulva: observam-se duas úlceras dolorosas, de bordas bem delimitadas, com secreção serosa e fibrina ao redor, sem sinais de infecção secundária. Observa-se linfadenopatia inguinal bilateral, de consistência firme e dolorosa à palpação. 
  • Exame especular: a mucosa vaginal e o colo uterino estão de aspecto normal.  
  • Toque vaginal bimanual sem alterações. 

Exames complementares: 

  • Sorologia para Vírus Epstein-Barr (EBV) IgG e IgM +. 
  • Teste rápido para HIV e sífilis negativos. 
  • Hemograma sem alterações. 

Qual diagnóstico e conduta? 

  • Úlcera de Lipschutz ou úlcera vulvar aguda. 

A Úlcera de Lipschutz é uma condição rara possivelmente relacionada a uma hipersensibilidade a infecções virais ou bacterianas. Essa reação gera um depósito de imunocomplexos, ativação da via do complemento, vasculite com microtrombos, isquemia tecidual, necrose, culminando com a formação das úlceras. Mais comumente associada à infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). A apresentação clínica costuma ser com lesões ulceradas dolorosas com fundo inicial necrótico e linfadenopatia inguinal. As lesões evoluem para úlceras profundas com exsudato amarelado e conteúdo de fibrina em abundância. Cicatrizam espontaneamente entre 2 a 4 semanas e não costumam deixar sequelas 

O tratamento visa o alívio da dor e a aceleração da cicatrização. 

Foram prescritos analgésicos regulares (dipirona 1g 4/4h) e tramal 50mg SOS em caso de dor forte persistente. Também foi prescrito Prednisona 40mg via oral pela manhã por 5 dias e depois Prednisona 20mg pela manhã por mais 5 dias. 

A paciente evoluiu bem, sem sequelas, com cicatrização completa das lesões. 

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