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Ginecologia e Obstetrícia2 abril 2025

Comparação entre diferentes esquemas de tratamento para candidíase vulvovaginal 

A candidíase vulvovaginal (CVV) é uma das infecções genitais femininas mais comuns, afetando até 75% das mulheres em algum momento da vida.

Um estudo de revisão foi recentemente publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology com objetivo de avaliar as taxas de cura clínica e micológica precoce (7 a 10 dias) e tardia (24 a 35 dias) associadas ao tratamento tópico ou oral de candidíase vulvovaginal não complicada (CVV) em esquemas de um ou vários dias. 

Caso Clínico: Candidíase vulvovaginal complicada

A candidíase vulvovaginal (CVV) é classificada como não complicada (episódios esporádicos, leves ou moderados em mulheres imunocompetentes) ou complicada (infecções recorrentes, graves, em imunocomprometidas ou por espécies não albicans). Cerca de 90% dos casos são do tipo não complicado, tratados tradicionalmente com antifúngicos tópicos ou orais, como nistatina e azóis. Novos medicamentos como ibrexafungerp e oteseconazol foram aprovados nos EUA, mas ainda não na Europa. Apesar da eficácia semelhante entre tratamentos tópicos e orais demonstrada por meta-análise tradicional, a meta-análise em rede (NMA) permite comparar múltiplas terapias direta e indiretamente, oferecendo também um ranqueamento das opções. Este estudo utilizou uma abordagem bayesiana de NMA para avaliar a eficácia clínica e micológica dos tratamentos disponíveis para CVV não complicada, incluindo medicamentos novos. 

Metodologia 

Trata-se de uma revisão em rede (NMA). Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que avaliaram a eficácia clínica e micológica de tratamentos farmacológicos para CVV não complicada, definida como infecção esporádica e leve a moderada, com base em achados clínicos e laboratoriais. Estudos com métodos não farmacológicos, infecções graves, gestantes, diabéticas ou imunossuprimidas foram excluídos. A busca incluiu diversas bases de dados até março de 2024. Cinquenta estudos randomizados foram incluídos na análise, agrupando os tratamentos tópicos em duas categorias (uso por 1 ou múltiplos dias) para reduzir a heterogeneidade. A análise utilizou modelos bayesianos de metanálise em rede (NMA), com cálculo de odds ratios, curvas SUCRA para ranqueamento de eficácia, e avaliação de consistência e heterogeneidade entre estudos.  

Principais achados 

Dos 50 estudos incluídos (47 artigos de periódicos e 3 estudos de bancos de dados, N = 7.208 indivíduos), 7 eram estudos de três braços e 43 eram estudos de dois braços. A geometria de toda a rede incluiu os seguintes braços: placebo (9 estudos), tópico único (24 estudos), tópico múltiplo (31 estudos), fluconazol único (23 estudos), fluconazol múltiplo (3 estudos), itraconazol único (6 estudos), itraconazol múltiplo (7 estudos), ibrexafungerp único (3 estudos) e oteseconazol múltiplo (um estudo).  

Em comparação com o placebo, todos os tratamentos estudados foram altamente eficazes (> 75%) para a cura clínica e micológica da CVV. O uso de 150 mg de fluconazol em um único dia foi ligeiramente mais eficaz do que a terapia tópica em vários dias na cura clínica precoce, tanto em análises pareadas (Odds Ratio (OR) = 1,9, 95% IC = 1,31-2,74, I2 = 0%) quanto NMA (OR = 1,52,95% IC = 1,13-2,07). Na avaliação da cura clínica tardia, não houve diferenças significativas nos ORs de sucesso entre o tratamento oral e tópico, seja como terapia de um ou vários dias (3983 indivíduos). O fluconazol em dose única foi marginalmente superior ao tratamento tópico de vários dias na cura micológica tardia (OR = 1,42, IC 95% = 1-1,99). Na análise de classificação, o tratamento oral com fluconazol em um único dia teve a melhor chance de alcançar cura micológica precoce (SUCRA = 74,1%) e tardia (SUCRA = 84,2%). O tratamento de vários dias com itraconazol obteve melhor pontuação no alívio precoce (SUCRA = 99%) e tardio (SUCRA = 75,7%). 

Leia também: Uma abordagem prática da candidúria

Conclusões 

  • Os medicamentos orais e tópicos atuais são muito eficazes no tratamento da candidíase vulvovaginal não complicada. Em uma análise de classificação de ensaios randomizados, os azóis orais tiveram uma chance maior de sucesso clínico e micológico do que os medicamentos tópicos. 
  • Embora uma hierarquia estrita de tratamentos concorrentes para CVV não complicada seja provavelmente inadequada, as diretrizes atuais devem reconhecer que os azóis orais têm uma chance maior de sucesso clínico e erradicação microbiológica de Candida do que os medicamentos tópicos.

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Referências bibliográficas

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