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Ginecologia e Obstetrícia29 junho 2026

ISSVD 2026: nova terminologia das lesões escamosas vulvares

Classificação ISSVD 2026 atualiza termos para lesões vulvares, diferenciando vias HPVa e HPVi e reforçando p16 e p53 no diagnóstico.

Recentemente, a International Society for the Study of Vulvovaginal Disease (ISSVD) publicou uma atualização sobre a terminologia das lesões escamosas vulvares, estabelecendo um novo quadro para classificação, diagnóstico e manejo da neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) e das lesões intraepiteliais escamosas. A atualização foi liderada pelo Dr. Mario Preti, presidente da comissão de terminologia, e por uma equipe internacional multidisciplinar de especialistas em ginecologia, oncologia ginecológica, dermatologia e patologia. 

A nova terminologia reflete o entendimento científico mais recente sobre a carcinogênese vulvar e as lesões precursoras. Os avanços em patologia e diagnóstico molecular, além da melhor compreensão das vias de doença associadas ou não ao HPV, exigiram uma classificação mais consistente e biologicamente significativa. 

A nova terminologia classifica as lesões segundo duas vias distintas — associada ao HPV (HPVa) e independente do HPV (HPVi) — e torna a imuno-histoquímica para p16 e p53 ferramenta essencial para a classificação precisa. 

Avaliação ginecológica com colposcopia em consultório

Objetivos da atualização terminológica 

A atualização tem como objetivos alinhar a terminologia com a evidência atual e com a evolução terminológica da Organização Mundial da Saúde (OMS), melhorar a comunicação entre clínicos, patologistas, pesquisadores e pacientes e dar suporte para avaliação de risco e planejamento terapêutico mais acurados. 

p16 e p53 ganham papel central na classificação 

O marcador p16 é marcador substituto para integração genômica do HPV oncogênico, com coloração em bloco positiva. Já o marcador p53 correlaciona-se com mutação TP53, com coloração nula ou superexpressa. 

Como ficam os termos para doença associada ao HPV? 

As mudanças preconizadas são: 

Doença associada ao HPV — termo preferido: 

  • HPVa NIV — termo preferido;  
  • HSIL vulvar, ou lesão intraepitelial escamosa de alto grau vulvar — termo alternativo aceitável;  
  • LSIL, ou lesão intraepitelial escamosa de baixo grau;  
  • condiloma.  

A LSIL e os condilomas representam manifestações transitórias do HPV. 

Como ficam os termos para doença independente do HPV? 

Doença independente do HPV — termo preferido: 

  • HPVi NIV — termo preferido;  
  • HPVi NIV p53 mutado — termo alternativo aceitável;  
  • HPVi NIV p53 selvagem — termo alternativo aceitável;  
  • maturação vulvar aberrante (VAM).  

A HPVi NIV p53 mutado, termo alternativo aceitável, quase sempre surge do líquen escleroso de longa duração. 

Saiba mais: Como diagnosticar e tratar o líquen escleroso? 

A HPVi NIV p53 selvagem é um termo alternativo aceitável. A NIV verrucosa é um subtipo, descrito como precursor usual do carcinoma verrucoso. 

A maturação vulvar aberrante (VAM) surge do líquen escleroso, com potencial neoplásico incerto. 

O uso do termo “neoplasia” significa risco estabelecido de progressão para câncer, enquanto “lesão” indica manifestações transitórias ou de menor potencial maligno. 

Termos antigos passam a ser desaconselhados 

Termos antigos desaconselhados ou não recomendados incluem: NIV diferenciada, NIV 1/2/3, NIV usual, NIV clássica, doença de Bowen, hiperplasia de células escamosas, DEVIL e VAAD. 

Implicações clínicas da nova classificação 

A aparência clínica isolada não diferencia, de forma confiável, a doença associada ao HPV da doença independente do HPV. É necessária correlação clínico-patológica e uso dos marcadores p16/p53. 

Saiba mais: Câncer de vulva e neoplasias intraepiteliais vulvares 

O tratamento e o seguimento das duas vias, HPVa e HPVi, devem considerar que elas representam entidades clínicas distintas, com patogênese, risco, manejo, vigilância e prognóstico diferentes. 

A doença HPVi tem maior risco de progressão para câncer e pior prognóstico em comparação à HPVa. 

Assim, a nova terminologia facilita decisões terapêuticas mais dirigidas e enfatiza a necessidade de estreita colaboração entre clínicos e patologistas para diagnóstico e conduta adequados. 

Saiba mais: CBGO 2026 – Patologia vulvar: diagnóstico e manejo de lesões frequentes 

Mensagem prática 

A atualização oferece uma classificação mais moderna e biologicamente informada das lesões vulvares escamosas, padronizando termos, incorporando p16 e p53 como marcadores essenciais e diferenciando claramente as vias HPVa e HPVi para melhorar diagnóstico, comunicação clínica e planejamento terapêutico. 

Autoria

Foto de Caroline Oliveira

Caroline Oliveira

Editora-chefe médica na Afya. Formada em medicina pela UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Instituto Fernandes Figueira (IFF/FIOCRUZ). Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense. Mestre em Ciências pelo IFF/FIOCRUZ.

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Referências bibliográficas

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