Em 2025, a revista Obstetrics & Gynecology publicou uma revisão da série Clinical Expert Series dedicada à avaliação e ao tratamento da dor pélvica crônica, uma condição que afeta entre 15% e 26% das mulheres em todo o mundo.
O objetivo do artigo foi oferecer uma abordagem prática e atualizada para ginecologistas, enfatizando estratégias diagnósticas e terapêuticas baseadas em mecanismos de dor e em cuidado interdisciplinar.

Principais achados: paciente com dor pélvica crônica
Entre os principais achados, os autores destacam que a dor pélvica crônica não é uma doença única, mas uma síndrome multifatorial, frequentemente associada a condições ginecológicas, gastrointestinais, urológicas, musculoesqueléticas e neurológicas. Os autores recomendam uma abordagem do diagnóstico diferencial baseada em sistemas orgânicos, reconhecendo que a maioria das pacientes apresenta múltiplas fontes de dor.
O artigo também introduz o conceito de dor nociplástica e sensibilização central, explicando por que a intensidade da dor muitas vezes não se correlaciona com achados anatômicos.
Com relação ao manejo clínico, o texto recomenda uma avaliação baseada em sistemas orgânicos, evitando atrasos diagnósticos e intervenções cirúrgicas repetidas sem benefício claro. Os autores também sugerem o uso do anagrama OPQRST para investigação do quadro doloroso (Quadro 1) associados a sintomas associados e história de tratamento prévios, além do instrumento ‘FIFE” que avalia a percepção e experiência da dor pela paciente (Quadro 2).
Quadro 1: Anagrama OPQRST
Quadro 2: Instrumento FIFE:
Em relação ao exame físico, deve ser estruturado, progressivo e centrado na paciente. Durante a avaliação, recomenda-se que a paciente quantifique a dor e informe se o estímulo reproduz sua dor habitual. Avaliar postura, marcha, posição ortostática, parede abdominal, cicatrizes e avaliação de dermátomos e sinais que diferenciem a dor visceral da dor miofascial (como o teste de Carnett).
O exame ginecológico deve focar em estruturas superficiais (vulva, períneo e vestíbulo), investigando alodinia e atrofia, e depois em estruturas pélvicas profundas, com exame digital e bimanual direcionado para musculatura e órgãos do assoalho pélvico.
O tratamento deve combinar estratégias farmacológicas, comportamentais e, quando indicado, cirúrgicas, sempre com educação da paciente sobre fisiologia da dor e participação ativa nas decisões terapêuticas.
Qual mensagem podemos levar para casa?
A revisão conclui que, embora a dor pélvica crônica nem sempre seja curável, uma relação terapêutica sólida, validação da experiência da paciente e cuidado interdisciplinar contínuo podem gerar melhorias significativas em dor, funcionalidade e qualidade de vida.
Autoria
Sérgio Okano
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