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Ginecologia e Obstetrícia8 agosto 2025

SLAMS 2025 - Pornografia e sexualidade feminina 

Na mesa sobre pornografia e sexualidade feminina,  discutiu-se sobre o que existe de positivo e negativo em relação ao consumo de pornografia por mulheres. 
Por Sérgio Okano

Na mesa  Ponto e Contraponto, sobre pornografia e sexualidade feminina, realizada no XVIII Congresso da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual (SLAMS 2025), discutiu-se o que existe de positivo e negativo em relação ao consumo de pornografia por mulheres. 

A Dra. Bárbara Lucena, psicóloga, professora do Centro Universitário Christus em Fortaleza – CE, apresentou os aspectos negativos associados ao uso de pornografia por mulheres. Ela iniciou destacando que a pornografia, em sua maioria, ainda é produzida para o consumo masculino e permanece de fácil acesso, abrangendo os mais diversos tipos de conteúdo. Entre mulheres, a prevalência de consumo varia de 30% a 80%, sendo que o primeiro contato geralmente ocorre antes dos 18 anos e vem aumentando a cada geração. O público feminino tende a preferir conteúdos mais “tradicionais” e “soft”. 

Em comparação aos homens, o consumo por mulheres está frequentemente ligado à autoexploração, aprendizado e curiosidade. No entanto, também há motivações relacionadas ao alívio de estresse e à procrastinação, o que pode evidenciar a ausência de estratégias eficazes para regulação emocional. 

Cobertura SLAMS 2025

Aspectos negativos no consumo de pornografia por mulheres

Mas por que esse consumo pode ter efeitos negativos? A teoria dos scripts sexuais propõe que nossos comportamentos são moldados pelos conteúdos aos quais somos expostos. A pornografia, nesse sentido, frequentemente reforça padrões sexistas e machistas, apresentando a mulher como fornecedora de prazer sexual, sem considerar suas próprias necessidades de satisfação. Além disso, a comparação com o desempenho de atrizes e atores pornográficos pode gerar inadequação, insatisfação e impacto negativo na imagem corporal. 

A exposição prolongada tende a promover habituação, exigindo estímulos cada vez mais intensos para alcançar o mesmo nível de excitação. Uma meta-análise de Wright et al. (2019) identificou, inclusive, associação entre consumo de pornografia e comportamentos violentos. Outros estudos, como os de Johnson et al. (2019) e Maas & Dewey (2018), reforçam que o conteúdo pornográfico pode contribuir para a perpetuação da cultura do estupro. 

Por outro lado, a psicóloga Ana Larissa Perissini, doutoranda em ciências da saúde da FAMERP,  ressaltou que o consumo de pornografia aumentou nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Ela destacou, entretanto, que os estudos sobre os impactos desse consumo na saúde das mulheres enfrentam várias limitações, como a heterogeneidade das características das consumidoras (idade, estado civil, orientação sexual), o tipo de conteúdo consumido, o contexto de uso, o tempo de exposição e a qualidade das relações afetivas. 

Possíveis aspectos positivos no consumo de pornografia por mulheres

E quanto aos possíveis aspectos positivos? A pornografia pode ter um papel educativo, favorecendo a experimentação e a ampliação de roteiros sexuais. Também pode oferecer um ambiente seguro para a vivência de fantasias e contribuir para melhorias em diferentes fases da resposta sexual, ao aumentar a motivação. Ainda assim, como enfatizou a Dra. Bárbara, a pornografia não deve ser utilizada como recurso de regulação emocional. 

Dessa forma, não se deve banalizar a recomendação de consumo de pornografia em contextos clínicos. É essencial avaliar caso a caso, considerando seu uso apenas quando houver real indicação terapêutica. 

Acompanhe a cobertura completa do Congresso da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual ( SLAMS 2025) aqui no Portal Afya!

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

Conteudista médico na Afya. Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia e na área de atuação em Sexologia. Possui mestrado e doutorado pela mesma instituição. Atende no serviço público, particular e trabalha com graduação médica e residência.

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