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Endocrinologia6 março 2025

SOP: Consenso da Associação Latino-Americana de Endocrinologia Ginecológica

Consenso avaliou as recomendações da Diretriz Internacional Baseada em Evidências de 2023 para o manejo da SOP na América Latina

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição endócrino-ginecológica complexa e heterogênea, que afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, e envolve disfunções hormonais, reprodutivas e metabólicas. Sua causa exata é incerta, mas está relacionada à interação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.  

Embora haja avanços no diagnóstico e tratamento da SOP, desafios como diferenças individuais, acesso à saúde e percepção dos profissionais dificultam um atendimento eficaz. Há poucos estudos sobre esses aspectos na população latino-americana. A América Latina é uma região diversa, com grandes diferenças socioeconômicas, culturais e de acesso à saúde. Portanto, mulheres com SOP nessa região não devem ser tratadas como um grupo homogêneo. 

Este consenso avalia as recomendações da Diretriz Internacional Baseada em Evidências de 2023 para o manejo da SOP na América Latina, reunindo especialistas para identificar desafios, oportunidades de pesquisa e adaptações regionais. O objetivo é orientar profissionais e sistemas de saúde no desenvolvimento de políticas e programas eficazes para atender melhor as mulheres com SOP na região. 

Leia mais: Novo guideline de SOP: o que mudou no diagnóstico

Recomendações 

Um total de 33 recomendações para o diagnóstico e tratamento de mulheres com SOP foram selecionadas e revisadas, resumidas a seguir. Essas recomendações são consideradas adequadas e aplicáveis tanto à população latino-americana quanto ao contexto dos sistemas de saúde dos países da região. 

  • Considerar e reconhecer os impactos do estigma do peso. 
  • Recomendar contraceptivos orais (CO) nas pacientes em idade reprodutiva para manejo de hirsutismo e/ou ciclos irregulares.  
  • Combinar agentes anti-androgênicos para manejo de hirsutismo quando baixa resposta ao uso de CO após seis meses de uso. Associar tratamentos dermatológicos se necessário. 
  • O inositol (em qualquer forma) pode ser considerado com potencial melhora no hiperandrogenismo bioquímico, nos ciclos menstruais e nas taxas metabólicas, porém com benefícios clínicos limitados na ovulação, hirsutismo e peso.  
  • Metformina (MTF) deve ser considerada antes do inositol para melhora metabólica, hirsutismo e obesidade central. Usar MTF na gravidez para reduzir os riscos de: DG, aborto, macrossomia, parto prematuro, entre outros. 
  • Atentar para possíveis desfechos adversos na gravidez: maior ganho de peso, aborto espontâneo, diabetes gestacional (DG), hipertensão ou pré-eclampsia, restrição de crescimento intra-uterino, parto prematuro. 
  • Realizar triagem para diagnóstico de depressão e ansiedade. 
  • Considerar fatores que podem influenciar a função psicossexual como: ganho de peso, hirsutismo e alterações de humor. 
  • Fornecer informações sobre SOP. 
  • Promover intervenções e adequações nutricionais quando necessário. 
  • Detectar hiperandrogenismo bioquímico, naquelas com pouco ou nenhum sinal clínico. Descartar outras causas de hiperandrogenismo (como Cushing, tumores adrenais ou hiperplasia adrenal congênita) caso níveis marcadamente aumentados. 
  • Usar escore de Ferriman Gallwey modificado (4-6) para detectar hirsutismo. 
  • Monitora os sinais clínicos de hiperandrogenismo, incluindo hirsutismo, acne e queda de cabelo no padrão feminino, para avaliar a melhora ou a necessidade de ajuste do tratamento. 
  • Usar critérios ultrassonográficos: considerar o limiar de 20 folículos por ovário ou um volume ovarianos de 10ml em pelo menos um ovário para SOP em adultos;  
  • Considerar que em pacientes com irregularidade menstrual e hiperandrogenismo não há necessidade de  USG para diagnóstico. 
  • Solicitar perfil de colesterol no diagnósticos de SOP independente da idade e do IMC.  
  • O citrato de clomifeno pode ser preferido em relação à MTF em mulheres com SOP e infertilidade anovulatória, sem outros fatores de infertilidade, para melhorar a ovulação, a taxa de gravidez e a taxa de nascidos vivos. 
  • Considerar uso de gonadotrofinas como segunda linha para tratamento de infertilidade. 

Mensagem prática 

As recomendações da Diretriz Internacional de 2023 avaliaram a sua aplicabilidade o contexto latino-americano, identificando aquelas que não são tradicionalmente seguidas na região e destacando outras que podem enfrentar desafios de implementação devido a barreiras regionais, como custo ou disponibilidade. Além disso, permitiu identificar oportunidades de pesquisa para melhorar o manejo da SOP em mulheres latino-americanas. 

 

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Referências bibliográficas

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