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Infectologia13 março 2025

CROI 2025: Tecovirimat é eficaz no tratamento de mpox?

Foram apresentados os resultados do estudo STOMP, que avaliou o uso de tecovirimat em pacientes adultos com infecção presumida ou confirmada por mpox.

Após o período de emergência internacional de saúde pública, infecções por mpox continuam sendo uma preocupação para as autoridades sanitárias.  

No Brasil, foi registrado em São Paulo o primeiro caso da cepa clado Ib da mpox, associada ao surto na África.  

Atualmente, o único tratamento aprovado é o antiviral tecovirimat, mas sua eficácia não está bem estabelecida. 

Mpox: Brasil se aproxima dos 1.000 casos em 2024

Imagem de freepik

Estudo

Os resultados do estudo STOMP, que avaliou o uso de tecovirimat em pacientes adultos com infecção presumida ou confirmada por mpox, foram apresentados no CROI 2025. 

O ACTG A5418/STOMP é um ensaio clínico duplo-cego de fase 3, randomizado e controlado por placebo. Foram elegíveis pacientes adultos (≥ 18 anos) com infecção sintomática confirmada ou presumida por mpox e com até 14 dias de sintomas. Os participantes foram randomizados na proporção de 2:1 para receber tecovirimat oral 600mg 12/12h ou placebo por 14 dias. Participantes com ou sob risco de doença grave, gestantes e crianças foram incluídos no braço aberto de medicação. O estudo foi conduzido em 50 centros, localizados em sete países diferentes. 

O desfecho primário avaliado foi tempo para resolução clínica, definida como cura completa de todas as lesões de pele e cura de todos as lesões de mucosa visíveis no dia 29. Desfechos secundários incluíram redução na escala de dor em 5 dias e mudanças longitudinais na carga de DNA de mpox de uma lesão de pele representativa. 

Foram incluídos 412 participantes, sendo 275 incluídos no braço do tecovirimat e 137 no braço que recebeu placebo. A maioria dos voluntários eram homens cisgênero e a mediana de idade foi de 34 anos. Vinte e dois por cento tinham recebio pelo menos uma dose de vacina contra mpox. A mediana de duração de sintomas no momento da inclusão no estudo foi de oito dias e a de número de lesões foi de 9. No momento da entrada, 33% dos participantes relatavam dor grave. 

A incidência cumulativa estimada de resolução clínica no dia 29 foi semelhante entre os grupos (83% vs. 84%). A proporção de voluntários que passou para o braço aberto de tecovirimat devido a sintomas persistentes ou progressivos foi de 7% nos dois grupos. A taxa de eventos adversos também foi semelhante (11% vs. 9%). Entre os que relataram dor grave, não houve diferença na redução na escala de dor entre os grupos de tecovirimat e placebo. Mais participantes no braço que recebeu tecovirimat tinham DNA indetectável no dia 8 (48% vs. 33% no grupo placebo), mas no dia 15 já não houve diferença significativa entre os grupos (83% vs. 78%, respectivamente). Com esses resultados, o estudo foi interrompido precocemente por futilidade. 

Mensagem prática

Os resultados desse estudo mostram que tecovirimat não foi eficaz na resolução clínica de lesões e nem em redução de dor em pacientes adultos com mpox.

Confira aqui as principais discussões do CROI 2025!

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