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Infectologia26 fevereiro 2026

CROI 2026: Prevenção de tuberculose com esquema 3HP em crianças vivendo com HIV

Os resultados do estudo DOLPHIN-KIDS foram apresentados no CROI 2026.

O esquema com 12 doses semanais de rifapentina e isoniazida (3HP) é eficaz para prevenção de TB em adultos e crianças, incluindo as que vivem com HIV. Contudo, uma preocupação é a possível interação entre a rifapentina e dolutegravir (DTG), que poderia necessitar de ajuste de dose. 

Embora dados de estudos em adultos tenham demonstrado a possibilidade de usar 3HP com DTG em dose única diária, crianças tendem a metabolizar DTG de forma mais rápida e podem precisar de dose dobrada desse antirretroviral. O estudo DOLPHIN-KIDS avaliou essa questão e os resultados foram apresentados no CROI 2026. 

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Materiais e métodos 

Foram incluídas crianças vivendo com HIV ≥ 10kg com carga viral indetectável (definida como < 50 cópias/mL) e em uso de terapia antirretroviral baseada em DTG em dose única diária + 2 inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleosídeos por pelo menos quatro semanas antes do início de 3HP. 

Análises de farmacocinética de DTG foram realizadas antes do início de 3HP e 3 dias depois da terceira dose semanal de 3HP. A carga viral HIV foi coletada na inclusão do estudo, na terceira semana de 3HP e ao final do estudo. Os desfechos avaliados foram a farmacocinética do DTG, segurança e supressão viral. 

Resultados 

Quarenta participantes concluíram o estudo e tiveram seus dados analisados. A mediana de idade foi de 5,5 anos, 49% eram do sexo feminino e a mediana de linfócitos T-CD4 foi de 1090 células nos com ≥ 6 anos e 35% nos com < 6 anos. Em termos de adesão, 22% tiveram adesão < 90% durante o esquema de 3HP. 

As concentrações de DTG nas análises de farmacocinética foram consideradas adequadas pelos critérios do estudo em praticamente todos os participantes, com somente 2 com valores pré-dose abaixo do valor limite inferior 3 dias após a última dose. Nenhum participante apresentou concentrações séricas de DTG abaixo do nível detectável. 

Não foram relatados eventos adversos graves relacionados ao tratamento. A maioria dos participantes (95%) permaneceu com carga viral indetectável ao longo do estudo. Dois participantes apresentaram carga viral detectável – 160 e 2310 cópias/mL -, voltando a ter supressão viral após reforço de adesão à terapia antirretroviral. 

Esses resultados sugerem que a administração de DTG em dose única diária durante uso de 3HP como prevenção de TB em crianças vivendo com HIV é possível. 

Autoria

Foto de Isabel Cristina Melo Mendes

Isabel Cristina Melo Mendes

Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro

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