A dengue é uma doença endêmica no Brasil, o que significa que ela ocorre durante todo o ano e tem um padrão sazonal, sendo mais comum em períodos quentes e chuvosos. É uma arbovirose causada pelo vírus DENV (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), que tem como principal vetor o mosquito Aedes aegypti.
Panorama nacional
Em 2024 tivemos uma grande quantidade de casos de dengue no Brasil: 6,5 milhões de pessoas diagnosticadas com, aproximadamente, 6 mil mortes. Foi um ano atípico pela intensificação de casos no Sul do país e em regiões mais elevadas. Previsões do Ministério da Saúde para 2025 não indicam um surto da mesma magnitude, entretanto, a recirculação do DENV-3 gera preocupação. Em dezembro de 2024, o sorotipo 3 já era responsável por 31,8% dos casos de dengue no Amapá, 28,7% em São Paulo, 18,2% em Minas Gerais e 9,3% no Paraná.
Vale lembrar que a imunidade contra a dengue depois da infecção é duradoura, porém específica para cada sorotipo. Essa taxa de crescimento do DENV-3 causa preocupação pois esse vírus encontra uma população desprotegida, já que há pelo menos 15 anos não havia circulação desse sorotipo no país. Ademais, alguns estudos indicam que o DENV-3 e o DENV-2 são mais virulentos que os demais sorotipos.
Sintomas da dengue
A infecção pelo vírus dengue pode causar um amplo espectro clínico e cursar desde sintomas leves, até levar ao óbito. A primeira manifestação costuma ser a febre, que tem duração de dois a sete dias, geralmente alta (39 ºC a 40 ºC), de início abrupto, associada a cefaleia, fadiga, mialgia, artralgia e dor retro orbitária. O paciente também pode sentir náusea, inapetência, vômito e diarreia.
As manchas pelo corpo podem acontecer em até metade dos pacientes, elas podem ser pruriginosas e, em geral, surgem depois da defervescência. Após a fase febril (entre três a sete dias do início da doença), grande parte dos pacientes se recupera progressivamente. Porém, é nesse momento que os sinais de alarme podem aparecer. Eles resultam do aumento da permeabilidade vascular, o que marca o início de uma evolução desfavorável que pode evoluir para o choque.
Diagnóstico
O diagnóstico da doença pode ser feito por três metodologias: sorologia, RT-PCR e NS1.
- Sorologia: metodologia mais utilizada. Detecta os anticorpos IgM e IgG e recomenda-se sua utilização a partir do sexto dia de doença
- RT-PCR: indicado até o quinto dia de doença. É o único capaz de identificar o subtipo responsável pelo quadro.
- NS1: também indicado até o quinto dia de doença e detecta a proteína NS1 viral.
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