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Infectologia5 março 2025

Febre oropouche: Como estamos no Brasil? 

A febre Oropouche é uma arbovirose causada pelo Orthobunyavirus oropoucheensis, do gênero Orthobunyavirus, pertencente à família Peribunyaviridae.
Por Raissa Moraes

O vírus, Orthobunyavirus oropoucheensis (OROV), foi identificado pela primeira vez em Trinidad e Tobago durante um surto de doença febril. Desde então, foi detectado causando epidemias em vários países da América do Sul e Central, incluindo Brasil, Peru e Panamá. No Brasil foi isolado pela primeira vez em 1955. Até então havia casos esporádicos notificados de febre oropouche, porém, em 2024 houve um aumento de 448,86%.  

Existem dois ciclos em que o vírus transita. No ciclo silvestre, o reservatório do OROV são primatas não humanos (como preguiças, roedores e algumas aves). No ciclo urbano, os humanos são os principais hospedeiros, e o vetor primário também é C. Paraeneses, como no ciclo silvestre. Ocasionalmente, o Culex quinquefasciatus pode transmitir o vírus em ambientes urbanos.  

Manifestações clínicas 

As manifestações clínicas da febre Oropouche se assemelham às de outras arboviroses. Os pacientes geralmente apresentam sintomas como febre, cefaleia, mialgia, artralgia, dor retroorbitária, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos. Dessa forma, pode haver subnotificação de casos, já que muitos estados brasileiros dependem apenas do diagnóstico clínico. Um fato interessante é que os sintomas podem reaparecer uma ou duas semanas após a recuperação em cerca de 60% dos pacientes. Além disso, há relatos de pacientes que apresentaram sintomas hemorrágicos ou complicações neurológicas associadas à detecção de OROV. 

Leia também: Febre do Oropouche avança no Brasil, com quase 3 mil casos em 2025 

Tratamento da Febre oropouche

Apesar da enorme ameaça que representa em termos de saúde pública, não há tratamento ou vacina específica para a doença e dois óbitos foram relatados pela febre Oropouche na Bahia em 2024. Vale destacar que foram os primeiros óbitos relacionados à doença na literatura mundial. 

Panorama vacinal 

Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente no desenvolvimento de uma vacina contra o OROV. Vários grupos de pesquisa têm trabalhado no desenvolvimento de vacinas usando diferentes abordagens, incluindo vírus inativado, vírus vivo atenuado e vacinas baseadas em proteínas recombinantes. Essas vacinas mostraram resultados promissores em estudos pré-clínicos e algumas até avançaram para ensaios clínicos. Entretanto, desenvolvimento de uma vacina contra OROV é uma tarefa desafiadora devido à diversidade genética do vírus e à necessidade de uma vacina que forneça ampla proteção contra várias cepas. 

As medidas de prevenção envolvem evitar o contato com áreas de ocorrência e/ou minimizar a exposição às picadas dos vetores, usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas, limpar terrenos e locais de criação de animais, recolher folhas e frutos que caem no solo, utilizar telas em portas e janelas.  

O potencial do OROV para a disseminação geográfica, aumentando a probabilidade de seu surgimento em novas áreas, ressalta sua importância em escala internacional de saúde pública. Tem sido uma doença negligenciada devido à sua semelhança no início com outras arboviroses, como a dengue. Portanto, as informações sobre a distribuição, prevalência e incidência da doença em humanos, animais e hospedeiros vetores não estão bem documentadas. No entanto, sua ampla prevalência e complicações neurológicas graves atraíram grande atenção dos pesquisadores nos últimos anos.  

Considerações finais 

Semelhante a outras doenças transmitidas por vetores, o surgimento e prevalência da febre Oropouche é o resultado de um desequilíbrio ecológico em todo o mundo. Esse desequilíbrio foi em grande parte resultado do movimento rápido e maciço de pessoas e mercadorias, bem como do aquecimento global. Considerando que as mudanças ambientais, climáticas e demográficas são um fenômeno global, não é surpreendente que o OROV se espalhe para além das Américas em um futuro próximo. 

Saiba mais: Febre de Oropouche e dengue: semelhanças e diferenças

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Referências bibliográficas

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