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Oftalmologia24 março 2025

Vigilância de endoftalmites relacionadas a procedimentos oftalmológicos invasivos

A ANVISA definiu a obrigatoriedade de os serviços oftalmológicos realizarem vigilância e notificação dos casos de endoftalmites associadas a procedimentos oftalmológicos

A endoftalmite é uma infecção grave que acomete os olhos, podendo ser causada por bactérias ou fungos. Quando acontece após cirurgia intraocular invasiva é classificada como uma infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS).   

A endoftalmite é uma condição muito grave e com prognóstico ruim, que pode levar a cegueira se não for adequada e rapidamente tratada.  

A ANVISA definiu, com base na RDC nº 36/2013, a obrigatoriedade de os serviços oftalmológicos realizarem a vigilância e notificação dos casos de endoftalmites associadas a cirurgias de catarata (facectomia) e a injeções de medicamentos intravítreo. 

Leia mais: Prevalência de endoftalmite em pacientes com candidemia

endoftalmite

Por que notificar? 

A notificação é importante, pois através dela será possível conhecer a realidade epidemiológica dos serviços de oftalmologia brasileiros, identificar os principais agentes etiológicos envolvidos, analisar a eficácia e o impacto das ações de prevenção e controle, investigar os fatores que possam influenciar no aumento/redução dos casos de endoftalmite relacionadas a procedimentos oftalmológicos invasivos.   

O que muda para os serviços oftalmológicos? 

Todos os serviços (clínicas ou hospitais) que realizam atendimentos oftalmológicos já faziam a vigilância e o monitoramento das infecções relacionadas a todos os procedimentos oftalmológicos por ele realizados. Porém, a partir de 2025, passou a ser obrigatória a notificação das endoftalmites associadas à facectomia e a injeções de medicamentos intravítreo. A notificação obrigatória tem que ser realizada mensalmente até o 15º dia do mês subsequente ao mês de vigilância. 

Informações que devem ser coletadas e notificadas todos os meses à Anvisa:  

A fórmula modelo para o cálculo dos indicadores é: Taxa = Numerador ¸ Denominador X 100  

Taxa de Endoftalmites relacionadas à Facectomia  

Numerador = Número de casos de endoftalmites relacionadas à facectomia no mês de vigilância 

Denominador = Número de facectomias realizadas no mês de vigilância 

Taxa de Endoftalmites relacionadas à Injeção intravítreo de medicamentos * 

Numerador = Número de casos de endoftalmite relacionadas à injeção intravítreo de medicamentos 

Denominador = Número de injeções intravítreo de medicamentos realizadas no mês de vigilância   

*Observação: exceto injeção intravítreo para aplicação de antimicrobianos por suspeita de endoftalmite. 

Onde notificar os dados? 

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/prevencao-e-controle-deinfeccao-e-resistencia-microbiana/notificacao-de-iras-e-rm 

Critérios diagnósticos de endoftalmite relacionada a procedimentos oftalmológicos invasivos 

Necessário presença de UM critério, para pacientes submetidos à facectomia ou injeção intravítrea de medicamentos: 

  1. Identificação de microrganismo em amostra de humor vítreo por meio de cultura ou por meio de métodos microbiológicos não baseados em cultura;  
  2. Paciente recebeu como tratamento injeção intravítreo de antimicrobiano; 
  3. Paciente tem diagnóstico médico de endoftalmite. 

Informações importantes  

  • A data da endoftalmite é a data da realização do procedimento oftalmológico. 
  • O período de vigilância é o período após o procedimento oftalmológico em que o paciente deve ser monitorado para identificação de endoftalmite, para fins de vigilância das IRAS. Esse período tem duração de 90 dias após à facectomia e de 30 dias, após a injeção intravítreo de medicamento, sendo que o dia 1 é a data do procedimento. 

Veja também: Síndromes infecciosas oculares: saiba como identificar os sinais de alarme

Mensagem prática 

A implementação da notificação obrigatória das endoftalmites associadas a procedimentos oftalmológicos invasivos representa um avanço significativo na vigilância epidemiológica dessas infecções no Brasil.  

Com a exigência de monitoramento sistemático e padronizado, será possível obter dados mais precisos sobre a incidência, os agentes etiológicos envolvidos e os fatores de risco associados. Isso permitirá a identificação precoce de surtos e a adoção de medidas eficazes de prevenção e controle, contribuindo para a segurança dos pacientes e a qualidade dos serviços oftalmológicos.  

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Referências bibliográficas

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