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Pediatria28 janeiro 2025

Sexualidade e saúde reprodutiva em crianças e adolescentes com doenças reumáticas

Estudo abordou as lacunas no aconselhamento em saúde sexual e reprodutiva (SSR) entre adolescentes e adultos jovens (AYAs) com doenças reumáticas

O estudo Experiences of sexual and reproductive health screening and counseling in the clinical setting among adolescents and young adults with rheumatic disease, publicado na revista Pediatric Rheumatology, aborda as lacunas no aconselhamento em saúde sexual e reprodutiva (SSR) entre adolescentes e adultos jovens (AYAs) com doenças reumáticas, especialmente aqueles que utilizam medicamentos teratogênicos, como metotrexato, micofenolato e ciclofosfamida. Apesar das diretrizes da American College of Rheumatology (ACR) recomendarem discussões sobre contracepção e planejamento familiar durante visitas iniciais e de seguimento, o estudo revela que essas práticas não são amplamente implementadas. 

Os participantes do estudo tinham idades entre 14 e 23 anos, eram designados do sexo feminino ao nascimento e recebiam atendimento em clínicas de reumatologia pediátrica em Indiana, EUA. A coleta de dados foi realizada por meio de uma pesquisa online única e análise de registros médicos, entre outubro de 2020 e julho de 2022. Foram excluídos pacientes com condições específicas, como hipermobilidade e lúpus induzido por drogas, aqueles que não falavam inglês ou estavam sob tutela estatal. O estudo focou em práticas de SSR, uso de medicamentos teratogênicos, triagem e aconselhamento sobre sexualidade, contracepção, prevenção de gravidez e conhecimento sobre teratogenicidade. 

Resultados e lacunas identificadas 

O perfil dos participantes mostrou que a média de idade era de 16,7 anos, sendo 52% diagnosticados com artrite idiopática juvenil (AIJ) e 16% com lúpus eritematoso sistêmico (LES). Além disso, 36% estavam em uso de medicamentos teratogênicos. Quanto à atividade sexual e contracepção, 24% dos participantes relataram já terem tido relações sexuais. Entre os usuários de teratógenos, apenas 15% utilizavam métodos contraceptivos de longa duração (LARC), como implantes ou dispositivos intrauterinos (DIUs). 

As taxas de aconselhamento em SSR foram baixas. Apenas 38% dos participantes relataram terem sido questionados sobre atividade sexual por seus reumatologistas, número que subiu para 54% entre os usuários de teratógenos. Menos da metade dos usuários de teratógenos recebeu aconselhamento sobre teratogenicidade (51%) ou prevenção de gravidez (23%), enquanto o aconselhamento sobre contracepção de emergência foi ainda mais raro, sendo relatado por apenas 8% dos participantes. 

O conhecimento sobre teratogenicidade também mostrou-se limitado, já que apenas 62% dos usuários de teratógenos sabiam que seus medicamentos poderiam ser prejudiciais a um feto. Além disso, 31% dos usuários estavam inseguros quanto aos efeitos de seus medicamentos na gravidez. Apesar dessas lacunas, os participantes atribuíram alta importância ao conhecimento sobre SSR, sendo que 82% consideraram importante discutir esses tópicos com seus reumatologistas, e 84% preferiram obter informações diretamente deles. 

Conclusão e recomendações 

O estudo conclui que há baixos níveis de triagem e aconselhamento em SSR para AYAs com doenças reumáticas, mesmo entre aqueles que utilizam teratógenos. As lacunas incluem a falta de discussões sobre contracepção, prevenção de gravidez e teratogenicidade. Recomendações incluem o aprimoramento do treinamento de reumatologistas sobre SSR em AYAs, a inclusão desse grupo nas diretrizes futuras de saúde reprodutiva, o desenvolvimento de ferramentas práticas para facilitar a tomada de decisão compartilhada e maior atenção às necessidades de AYAs em regiões com restrições legais ao acesso a cuidados de SSR. O estudo destaca a necessidade de intervenções estruturais para melhorar o aconselhamento e o conhecimento em SSR entre AYAs com doenças reumáticas. 

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Referências bibliográficas

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