A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) informou no último dia 22 de fevereiro que iniciará a distribuição de 33.364 doses da nova vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan. Os 92 munícipios do estado receberão as doses, mas mais de 35% serão destinadas à capital.
Seguindo determinação do Ministério da Saúde, a SES-RJ destinará as primeiras aos profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS: médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, integrantes das equipes multiprofissionais, agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), além dos trabalhadores administrativos e de apoio que atuam nas unidades.
Leia também: SUS vai vacinar profissionais de saúde contra dengue a partir de fevereiro
“A estratégia será escalonada e gradativa, iniciando pelo grupo de profissionais da Atenção Primária à Saúde, e avançando progressivamente, conforme a disponibilidade de doses pelo fabricante, para demais grupos, até contemplarmos todos adolescentes com 15 anos de idade que não foram vacinados com a vacina do laboratório Takeda”, explicou Keli Magno, gerente de Imunização da SES-RJ.
Ainda de acordo com Magno, como a vacina contra a dengue do Instituto Butantan foi licenciada para uso na faixa etária de 12 a 59 anos e a vacina atualmente utilizada (fabricada pelo laboratório Takeda) está preconizada para a população de 10 a 14 anos, o recomendado é que a vacina do Instituto Butantan seja administrada na faixa etária de 15 a 59 anos de idade.
Saiba mais: Brasil se prepara para novo pico de dengue em 2026
Dengue no Rio de Janeiro
Segundo dados da secretária de saúde do estado, os indicadores de dengue do estado continuam em níveis baixos, mas a pasta estadual alerta para a importância de ações de prevenção da doença após o Carnaval devido as chuvas intensas no período associadas ao calor excessivo do verão, condições que facilitam a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor não só da dengue como também da chikungunya e da zika.
Dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ mostram que, em 2026, até o dia 20 de fevereiro, o estado registrou 1.198 casos prováveis e 56 internações por dengue, sem confirmação de óbitos; 41 casos prováveis de chikungunya, com 5 internações e nenhum caso confirmado de zika.
Chikungunya: você sabe diferenciar essa arbovirose da dengue?

Vacinas contra dengue
A vacina nacional contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica MSD é uma vacina de vírus vivo atenuado, quadrivalente, administrada em dose única. O imunizante foi aprovado pela Anvisa no final de 2025 depois dos resultados de um ensaio clínico de fase 3 duplo-cego, randomizado, placebo-controlado, com mais de 16 mil participantes entre 2 e 59 anos.
Resultados de eficácia obtidos:
- 79,6% eficácia geral;
- 89,2% em indivíduos previamente infectados;
- 73,5% em soronegativos.
Desde 2024, o Brasil já utiliza a vacina Qdenga contra dengue, também quadrivalente, mas fabricada pela empresa japonesa Takeda Pharma Ltda a partir do vírus inativado da doença e aplicada em duas doses com uma eficácia geral de 80,2% para evitar contaminações, e de 90,4% para prevenir casos graves.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.