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Terapia Intensiva24 março 2025

ISICEM 2025 - Atualização em Antibioticoterapia

Na sessão apresentada durante o International Symposium on Intensive Care and Emergency Medicine (ISICEM) 2025, especialistas trouxeram atualizações em antibioticoterapia
Por Yuri Albuquerque

Fique por dentro das novidades em antibioticoterapia! Na sessão apresentada durante o International Symposium on Intensive Care and Emergency Medicine (ISICEM) 2025, em Bruxelas, especialistas trouxeram insights valiosos para a prática clínica. Confira os principais destaques! 

antibioticoterapia

Infusão prolongada dos beta-lactâmicos  

  • Beta-lactâmicos são antibióticos tempo-dependentes, ou seja, seu melhor efeito ocorre quando a concentração plasmática da medicação se mantém acima da MIC (Concentração Inibitória Mínima) da bactéria por um tempo prolongado. 
  • Durante o ISICEM 2025, o professor Jan de Waele reforçou que a infusão prolongada dos beta-lactâmicos inclui tanto a infusão estendida (em torno de 3 horas) quanto a infusão contínua (superior a 8 horas). 
  • Segundo ele, após os resultados dos estudos MERCY (1) e BLING III (2), além de uma meta-análise publicada recentemente, temos hoje uma evidência robusta para preferir a administração prolongada desses antibióticos. 
  • Ponto de atenção: Jan de Waele destacou a importância de sempre realizar a dose de ataque, mesmo quando optamos pela infusão prolongada. Essa estratégia garante uma rápida elevação da concentração da droga acima da MIC logo no início do tratamento 

Gram negativos – Terapia combinada ou monoterapia 

Há mais de 50 anos, discute-se o papel da terapia combinada em comparação à monoterapia no tratamento de infecções por gram-negativos, mas as evidências seguem limitadas. Apesar do racional teórico — sustentado pelo potencial efeito sinérgico in vitro — faltam estudos randomizados robustos para apoiar seu uso. A maior parte dos dados disponíveis vem de análises retrospectivas e observacionais. 

Um ponto de preocupação com a terapia combinada é o aumento da nefrotoxicidade, especialmente quando envolve agentes como colisitina ou aminoglicosídeos.  

Saiba mais: Antibioticoterapia em pediatria: você está fazendo isso certo?

Recomendações atuais 

  • Baseadas nas evidências disponíveis e discutidas no congresso, indicam que a terapia combinada pode ser utilizada de forma empírica em pacientes com risco elevado de infecção por gram-negativos multirresistentes. Contudo, não há comprovação científica sólida de benefício nessa estratégia. 
  • Uma vez disponíveis os resultados das culturas e testes de sensibilidade, a orientação é clara: descalonar para monoterapia, principalmente se o tratamento envolver um beta-lactâmico associado a inibidor de beta-lactamase de nova geração (como ceftazidima-avibactam ou ceftolozano-tazobactam). 
  • Exceção: manutenção da terapia combinada pode ser considerada em casos de infecção por Acinetobacter baumannii multirresistente, Stenotrophomonas maltophilia, conforme o guideline da Infectious Diseases Society of America (IDSA) (3). 

Importante 

Sempre considere o perfil microbiológico da sua instituição, em conjunto com a CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar), para definir a melhor estratégia terapêutica. Lembre-se de que essas são recomendações baseadas em diretrizes americanas (IDSA) e podem não refletir integralmente a realidade microbiológica de cada unidade. 

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Referências bibliográficas

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