Fique por dentro das novidades em antibioticoterapia! Na sessão apresentada durante o International Symposium on Intensive Care and Emergency Medicine (ISICEM) 2025, em Bruxelas, especialistas trouxeram insights valiosos para a prática clínica. Confira os principais destaques!
Infusão prolongada dos beta-lactâmicos
- Beta-lactâmicos são antibióticos tempo-dependentes, ou seja, seu melhor efeito ocorre quando a concentração plasmática da medicação se mantém acima da MIC (Concentração Inibitória Mínima) da bactéria por um tempo prolongado.
- Durante o ISICEM 2025, o professor Jan de Waele reforçou que a infusão prolongada dos beta-lactâmicos inclui tanto a infusão estendida (em torno de 3 horas) quanto a infusão contínua (superior a 8 horas).
- Segundo ele, após os resultados dos estudos MERCY (1) e BLING III (2), além de uma meta-análise publicada recentemente, temos hoje uma evidência robusta para preferir a administração prolongada desses antibióticos.
- Ponto de atenção: Jan de Waele destacou a importância de sempre realizar a dose de ataque, mesmo quando optamos pela infusão prolongada. Essa estratégia garante uma rápida elevação da concentração da droga acima da MIC logo no início do tratamento
Gram negativos – Terapia combinada ou monoterapia
Há mais de 50 anos, discute-se o papel da terapia combinada em comparação à monoterapia no tratamento de infecções por gram-negativos, mas as evidências seguem limitadas. Apesar do racional teórico — sustentado pelo potencial efeito sinérgico in vitro — faltam estudos randomizados robustos para apoiar seu uso. A maior parte dos dados disponíveis vem de análises retrospectivas e observacionais.
Um ponto de preocupação com a terapia combinada é o aumento da nefrotoxicidade, especialmente quando envolve agentes como colisitina ou aminoglicosídeos.
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Recomendações atuais:
- Baseadas nas evidências disponíveis e discutidas no congresso, indicam que a terapia combinada pode ser utilizada de forma empírica em pacientes com risco elevado de infecção por gram-negativos multirresistentes. Contudo, não há comprovação científica sólida de benefício nessa estratégia.
- Uma vez disponíveis os resultados das culturas e testes de sensibilidade, a orientação é clara: descalonar para monoterapia, principalmente se o tratamento envolver um beta-lactâmico associado a inibidor de beta-lactamase de nova geração (como ceftazidima-avibactam ou ceftolozano-tazobactam).
- Exceção: manutenção da terapia combinada pode ser considerada em casos de infecção por Acinetobacter baumannii multirresistente, Stenotrophomonas maltophilia, conforme o guideline da Infectious Diseases Society of America (IDSA) (3).
Importante
Sempre considere o perfil microbiológico da sua instituição, em conjunto com a CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar), para definir a melhor estratégia terapêutica. Lembre-se de que essas são recomendações baseadas em diretrizes americanas (IDSA) e podem não refletir integralmente a realidade microbiológica de cada unidade.
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