Logotipo Afya
Anúncio
Terapia Intensiva8 janeiro 2025

Oxigênio restritivo precoce versus oxigênio liberal para pacientes com trauma

Estudo TRAUMOX2 comparou a estratégia de O2 restritiva e liberal nas primeiras 8 horas do traumatismo
Por Julia Vargas

O uso precoce de oxigenoterapia suplementar (O2) tem sido recomendado na abordagem de pacientes graves vítimas de traumatismo.  

O uso liberal do O2, entretanto, ao induzir hiperóxia e maior exposição a espécies reativas de oxigênio, pode agravar o processo inflamatório respiratório e sistêmico, contribuindo para o incremento da mortalidade.  

A lesão pulmonar induzida por hiperóxia conta com vários mecanismos: alteração da composição do surfactante pulmonar, redução do processo de depuração mucociliar e propensão à formação de atelectasias. Logo, pode implicar em diminuição da complacência pulmonar e aumento do risco de infecções 

Já sob o aspecto hemodinâmico, a hiperóxia atua como um estímulo vasoconstritor, reduzindo o fluxo sanguíneo coronariano e o débito cardíaco, além de comprometer a perfusão da microvasculatura. 

Diante do exposto, as diretrizes recomendam, em geral, o uso conservador do O2, com alvo de pressão parcial dentro de uma faixa fisiológica (a fórmula mais conhecida da PaO2 esperada para a idade é a seguinte: 109 – 0,43 x idade). Contudo, a estratégia liberal ainda poderia ser útil em condições específicas, como no traumatismo crânio-encefálico (TCE) grave.  

O estudo TRAUMOX2 comparou a estratégia de O2 restritiva (alvo de SpO2 de 94%) e liberal (O2 em máscara facial não reinalante entre 12 a 15 L/min entre os pacientes não intubados ou FiO entre 60% e 100% entre aqueles em ventilação mecânica com alvo de SpO2 ≥ 98%) nas primeiras 8 horas do traumatismo. 

Leia mais: Oxigênio na UTI: quais alvos utilizar?

Metodologia 

Trata-se de um ensaio clínico randomizado (RCT), multicêntrico e conduzido entre dezembro/2021 e setembro/2023. 

Foram incluídos quase 2.000 pacientes vítimas de traumatismo atendidos no ambiente pré-hospitalar ou em centros de traumatologia da Dinamarca, Suíça e Países Baixos, sendo acompanhados por um período de 30 dias.  

Os critérios de inclusão foram idade maior ou igual a 18 anos, traumatismo contuso ou penetrante, transferência direta da cena do acidente para um dos centros de trauma participantes e expectativa de internação hospitalar de pelo menos 24 horas.  

O desfecho primário foi uma combinação de morte e/ou complicações respiratórias graves, como pneumonia ou síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).  

Resultados 

A incidência do desfecho primário foi semelhante entre os grupos (Restritivo: 16,1% vs Liberal: 16,7%). Não houve diferença significativa nas taxas de mortalidade (8,6% vs 7,3%) ou complicações respiratórias (8,9% vs 10,8%). No entanto, a incidência de atelectasia foi menor no grupo restritivo (27,6% vs 34,7%). 

Conclusões e mensagens práticas 

  • A estratégia restritiva de oxigenoterapia entre pacientes graves vítimas de traumatismo parece ser tão eficaz quanto a estratégia liberal, com o potencial de reduzir as complicações respiratórias graves. No entanto, mais pesquisas são necessárias para confirmar esses achados e determinar a estratégia ideal de oxigenação nesse cenário clínico.  

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Terapia Intensiva