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Anestesiologia28 janeiro 2025

Cefaleia pós-punção dural: tratamento e blood patch

Entenda como tratar cefaleia pós-raqui, complicação após punção dural, com medidas conservadoras, analgesia e blood patch.
Por Gabriela Queiroz

A cefaleia pós-raqui, também chamada de cefaleia pós-punção dural, é uma complicação comum após procedimentos que envolvem punção do espaço subaracnóideo.

Ela pode ocorrer após raquianestesia, anestesia peridural com perfuração acidental da dura-máter ou punção liquórica para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR).

O quadro ocorre pela redução da pressão do LCR, causada pelo extravasamento do líquido através do orifício formado pela punção.

Em geral, os sintomas surgem entre 24 e 48 horas após o procedimento, mas há relatos de início em até 5 dias. A dor costuma ser incapacitante, de localização frontal ou occipital, com piora na posição ortostática.

Também pode estar associada a náuseas, vômitos, distúrbios visuais, zumbidos e rigidez de nuca.

Caso clínico: Cefaleia pós-cesariana

Cefaleia pós-raqui: Diretrizes gerais para o tratamento 

Imagem de DC Studio/Freepik

Tratamento inicial da cefaleia pós-punção dural

O tratamento da cefaleia pós-punção dural começa pelo diagnóstico clínico e deve ser orientado pela gravidade dos sintomas e pela resposta às medidas iniciais.

Entre as medidas conservadoras, recomenda-se aumentar a ingesta hídrica, especialmente com bebidas ricas em cafeína. O paciente deve ser incentivado a ingerir líquidos ao longo do dia, com o objetivo de aumentar o volume do LCR. Quando ainda estiver internado, pode ser necessária hidratação venosa.

A recomendação de manter o paciente em decúbito dorsal não é mais indicada de forma obrigatória. A posição deve ser definida conforme o conforto do próprio paciente.

O tratamento farmacológico inicial pode incluir analgésicos simples, como dipirona associada a mucato de isometepteno e cafeína, ou paracetamol com cafeína. Ambos podem ser utilizados na dose de 2 comprimidos a cada 6 horas, por via oral.

Anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno, também podem ser utilizados quando não houver alergias ou contraindicações.

Se não houver melhora após 24 horas, pode-se associar amitriptilina 25 mg à noite.

Na maioria dos casos, o tratamento oral é eficaz, com resolução completa do quadro em aproximadamente três dias.

Quando indicar blood patch na cefaleia pós-raqui

Quando não há melhora clínica com as medidas iniciais, pode ser indicado tratamento invasivo com blood patch, também chamado de tamponamento sanguíneo.

O procedimento consiste em realizar uma nova punção, no mesmo espaço previamente puncionado, com injeção de 10 a 20 mL de sangue autólogo. O objetivo é selar o local de vazamento e restaurar a pressão liquórica.

O blood patch apresenta taxa de sucesso superior a 90%, com alívio imediato dos sintomas.

Quando o procedimento for realizado, deve-se evitar o uso de anti-inflamatórios, antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes por 24 horas.

Resumo da abordagem terapêutica

A abordagem da cefaleia pós-punção dural pode ser organizada em etapas, conforme a gravidade dos sintomas e a resposta ao tratamento:

  • diagnóstico clínico;
  • aumento da ingesta hídrica ou hidratação venosa;
  • analgésicos com cafeína e anti-inflamatórios convencionais, quando não houver contraindicações;
  • associação de amitriptilina em casos sem melhora após 24 horas;
  • realização de blood patch em casos refratários.

Prevenção da cefaleia pós-punção dural

A prevenção é uma das principais estratégias no manejo da cefaleia pós-punção dural, especialmente em pacientes de maior risco, como mulheres jovens, pessoas com IMC baixo e gestantes.

Entre as medidas preventivas, destacam-se:

  • uso de agulhas finas e atraumáticas;
  • punção com o bisel da agulha voltado para o lado;
  • redução de múltiplas tentativas de punção;
  • hidratação adequada após o procedimento.

Considerações finais

Apesar de bastante desconfortável, a cefaleia pós-punção dural geralmente apresenta prognóstico benigno, com remissão completa do quadro e sem sequelas após alguns dias de tratamento.

A abordagem deve priorizar diagnóstico clínico, tratamento conservador inicial, uso de analgésicos quando indicado e orientação/ tranquilização do paciente acerca do quadro autolimitado e benigno. Em casos refratários, realização de Blood Patch.

 

*Este conteúdo foi atualizado em: 05/10/2026 pela equipe editorial médica do Portal Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Queiroz

Gabriela Queiroz

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Ministério da Educação (MEC). Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Centro de Especialização e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (CET/SBA). Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). Membro da American Academy of Pain Medicine.

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