O processo de autocrítica necessariamente demanda que façamos uma avaliação sobre nós mesmos. Embora seja comum a todos, algumas pessoas tendem a ser mais suscetíveis a esse comportamento do que outras, especialmente aquelas com traços perfeccionistas. Infelizmente, é comum que nossa conclusão sobre nós mesmos seja negativa.
Comparação com terceiros
Por um lado, ao nos compararmos com os demais, podemos perceber pontos em que podemos melhorar em determinadas circunstâncias (por exemplo, ao revisar assuntos de clínica médica em um round). Por outro, o excesso de autocrítica pode se relacionar a uma série de problemas e consequências negativas, especialmente para a saúde mental.
A autocrítica pode ser positiva no sentido de nos fazer reconsiderar opiniões, posicionamentos, pensamentos e atitudes. Pode atuar como um catalisador para que nos esforcemos por melhorar nossa conduta diante dos outros, o que pode vir a ser apaziguador. Também pode nos auxiliar como um motivador que nos impulsiona a, por exemplo, nos dedicarmos a algo específico (ex: frequentar um curso ou congresso ou estudar um determinado tema).
Saúde mental
No entanto, muitas vezes, as críticas impulsionam uma autocobrança que pode ser tanto excessiva, como irreal. Ela pode levar a estratégias disfuncionais de enfrentamento e/ou se contribuir parcialmente para o desenvolvimento de transtornos mentais. Perceber esses momentos de autocrítica disfuncional pode ser desafiador.
Alguns pensamentos mais sugestivos dessa situação incluem perceber que é mais tolerante com os erros dos outros do que com os seus; se cobrar muito por questões cujas consequências foram pequenas; ou continuar se criticando, mesmo após ter corrigido o seu erro.
Lidar com esse padrão de pensamento e comportamento pode ser desafiador e algumas técnicas de psicoterapia podem auxiliar com este processo. Contudo, algumas sugestões breves podem incluir: estar atento aos próprios pensamentos e, ao perceber uma autocrítica, avaliar a sua veracidade e procurar atividades que mudem o foco da atenção.
Outra possibilidade é considerar o tipo de conselho que daria a um amigo na mesma posição. Finalmente, após uma situação, reflita sobre a diferença entre o que realmente aconteceu e as suas projeções sobre o que poderia ter acontecido, avaliando as discrepâncias. Isso pode ajudar a alimentar pensamentos mais realistas ao longo do tempo.
Esteja ciente de que, embora todos possamos melhorar em certos aspectos, aceitar-se como é, com defeitos e qualidades, é um passo importante para se planejar e alcançar possíveis melhorias.
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