Os análogos de peptídeo glucagon-like (GLP-1) são medicamentos que estão muito em alta para o tratamento de diabetes mellitus e obesidade. Além de claros benefícios para pacientes com essas condições, essa classe de medicação vem se mostrando eficiente na redução de desfechos renais e cardiovasculares.
Baseado na relevância do tema, recentemente a revista Lancet lançou uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados para avaliação desses desfechos.
O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença multissistêmica com sua incidência em ascensão a nível global. Ela é a principal causa de insuficiência renal crônica nos países desenvolvidos, estando também fortemente associada a outras doenças cardiovasculares e obesidade.
Dente muitas medicações promissoras no tratamento do DM2, os análogos de GLP-1 vêm mostrando importância significativa ao auxiliar na redução do peso, reduzir eventos cardiovasculares e com impacto positivo nos desfechos renais.
A revista Lancet lançou um estudo que reuniu alguns dos principais ensaios clínicos que visaram compreender como os análogos de GLP-1 influenciam os desfechos cardiovasculares e renais em pacientes com DM e se tais benefícios também se aplicam a pacientes sem tal condição.
Metodologia
Em base de dados eletrônicas, foram coletados ensaios clínicos randomizados (11 no total selecionados) que deveriam ter no mínimo 500 participantes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) em uso de placebo x análogos de GLP-1 seguidos por pelo menos 12 meses com análise de desfechos primário renal ou cardiovascular nesses subgrupos.
O desfecho renal primário foi falência renal (terapia de substituição renal ou taxa de filtração glomerular (TGF) < 15ml/min per 1,73 m2 persistente), redução sustentada da TFG em pelo menos 50% e morte por insuficiência renal.
Já o principal desfecho cardiovascular foi MACE (eventos cardiovasculares adversos importantes) tais como: morte de causa cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal e acidente vascular encefálico não fatal.
A análise dos dados dos estudos foi categorizada em grupos: idade (< ou > de 65 anos), sexo, índice de massa corporal (IMC) < ou ≥ 30 kg/m2, presença de doença cardiovascular, TFG < 60, tipo de GLP-1 utilizado, frequência de sua administração (diário ou semanal) e a duração média de seguimento (≥ 3 anos ou < 3 anos).
Resultados
Onze ensaios clínicos randomizados foram selecionados na meta-análise, incluindo 85.373 participantes, dentre os quais: 29.386 do sexo feminino e 55.987 do sexo masculino. A média de tempo de seguimento foi de 25,2 meses, com TFG média de 77,2 ml/min per 1,73 m2. 22,7% dos participantes apresentaram TFG de base inferior a 60 enquanto 8,8% apresentaram relação albumina/creatinina superior a 300mg/g.
Dentre os participantes com DM2, os análogos de GLP-1 reduziram em 18% os desfechos renais, em 16% a falência renal, em 13% o MACE e 12% mortes por qualquer causa quando comparados com o placebo.
Não foram observadas diferenças significativas em relação aos efeitos adversos mais graves como pancreatite e hipoglicemia severa quando os grupos foram comparados. No entanto, a descontinuação do tratamento foi maior no grupo que utilizou os análogos de GLP-1.
Discussão
O objetivo da meta-análise foi compreender os efeitos dos análogos de GLP-1 nos desfechos renais e cardiovasculares em pacientes com e sem diabetes. Ela mostrou redução importante dos eventos renais, falência renal e de eventos cardiovasculares em pacientes com Dm2 que utilizaram análogos de GLP-1.
Todos os benefícios analisados foram consistentes, independentemente do status de DM.
Mensagem prática
Em suma, a presente meta-análise comprovou com forte nível de evidência que os análogos de GLP-1 são capazes de melhorar os desfechos cardiovasculares e renais. Tais achados conferem importante papel a essa classe de medicações do tratamento de pacientes tanto com DM2, como com outras condições como obesidade e doença renal crônica por outras causas.
Que essa meta-análise seja uma luz para compreensão de mais benefícios dessa classe terapêutica tão importante e utilizada nos dias de hoje.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.