O câncer de pele permanece como a neoplasia maligna mais incidente no Brasil, representando um relevante desafio de saúde pública. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer de pele não melanoma corresponde a aproximadamente um terço de todos os novos diagnósticos de câncer no país no triênio 2023–2025. Apesar dessa expressiva prevalência, persiste a percepção equivocada de que se trata de uma condição “menor” no espectro oncológico.
Diversos fatores contribuem para a alta incidência nacional: elevada exposição à radiação ultravioleta (UV) decorrente do clima tropical, hábitos socioculturais que valorizam a exposição solar recreativa, ocupações ao ar livre e adesão insuficiente às medidas de fotoproteção. Estudos epidemiológicos nacionais e internacionais apontam consistente aumento da incidência de carcinomas cutâneos não melanoma (CCNM) nas últimas décadas, com destaque para o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular cutâneo (CEC). Pacientes de fototipos baixos (I–II), indivíduos imunossuprimidos e trabalhadores rurais configuram grupos particularmente vulneráveis.
A literatura evidencia que a prevenção primária continua sendo o pilar mais eficaz na redução dos casos: proteção solar adequada, educação populacional, políticas de saúde voltadas à disponibilização de filtros solares e estratégias que reduzam a exposição ocupacional excessiva. Ensaios clínicos demonstram redução significativa no risco de CEC com uso regular de protetores solares de amplo espectro, enquanto estratégias comportamentais, como evitar radiação solar nos horários de pico, permanecem fundamentais.
A prevenção secundária tem papel igualmente relevante. O diagnóstico precoce está associado a elevada taxa de cura, geralmente por meio de tratamento cirúrgico. Profissionais não especialistas costumam constituir os primeiros pontos de contato do paciente com o sistema de saúde, sendo portanto, essenciais no reconhecimento de lesões suspeitas. A ampliação de programas de triagem, campanhas públicas e acesso facilitado à biópsia contribui para maior detecção precoce.
Para o medico generalista, o Dezembro Laranja renova a necessidade de compreender o câncer de pele como enfermidade de impacto significativo, devendo integrar ações de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado em protocolos institucionais. Além disso, destaca-se a relevância da articulação entre atenção primária, dermatologia, cirurgia oncológica e oncologia clínica para otimizar desfechos e minimizar morbidade.
Autoria

Lethícia Prado
Médica formada pela Universidade Federal do Ceará ⦁Residência em Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado - RJ ⦁ Residência em Oncologia Clínica pelo INCA.
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