O melanoma, apesar de menos frequente que os carcinomas cutâneos não melanoma, concentra a maior mortalidade associada aos tumores cutâneos. A atualização contínua das diretrizes, especialmente ESMO e NCCN, tem redefinido a abordagem terapêutica ao longo dos últimos anos, particularmente no manejo dos estágios IIB–IV.
O estadiamento, baseado na 8ª edição do AJCC, integra espessura tumoral, ulceração, índice mitótico e status linfonodal. A indicação de biópsia de linfonodo sentinela permanece recomendada para tumores ≥1,0 mm ou entre 0,8 e 1,0 mm na presença de fatores de alto risco, como ulceração.
A adjuvância evoluiu significativamente. Ensaios clínicos KEYNOTE-716 e CheckMate 76K estabeleceram o papel do bloqueio de PD-1 (pembrolizumabe ou nivolumabe) nos estágios IIB–IIC, reduzindo recidivas e metástases à distância. Em pacientes com mutação BRAF V600, a terapia-alvo combinada (dabrafenibe + trametinibe) permanece opção relevante em doença ressecada estádio III.
Saiba mais: Como diagnosticar o melanoma cutâneo
Na doença metastática, combinações de bloqueadores de checkpoint (como nivolumabe e ipilimumabe) proporcionam sobrevida prolongada e, em subset de pacientes, possibilidade de controle sustentado de longo prazo. A associação nivolumabe + relatlimabe (anti–LAG-3) surge como alternativa com eficácia comprovada e perfil de toxicidade potencialmente mais equilibrado.
A discussão individualizada, considerando idade, comorbidades, mutações e preferências do paciente, é essencial para a tomada de decisão. O manejo de toxicidades imuno relacionadas requer vigilância estreita e abordagem interdisciplinar, dada a possibilidade de eventos permanentes, como endocrinopatias autoimunes.
Autoria

Lethícia Prado
Médica formada pela Universidade Federal do Ceará ⦁Residência em Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado - RJ ⦁ Residência em Oncologia Clínica pelo INCA.
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