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Hematologia8 dezembro 2024

ASH 2024: PIVOT trial - Hidroxiuréia em hemoglobinopatia SC

Confira os detalhes sobre o relevante estudo PIVOT, apresentado durante o segundo dia do congresso ASH 2024.
Na sessão plenária de 8 de dezembro de 2024, Yvonne Dei-Adomakih, da Universidade de Gana, apresentou o relevante estudo PIVOT (Propective identification of variables a outcimes for treatment): um estudo duplo cego, randomizado, comparando hidroxiureia ao placebo em pacientes com diagnóstico de hemoglobinopatia SC (HbSC). A palestrante orgulhosamente iniciou sua sessão com o spoiler de que, enquanto ela apresenta a sessão plenária, o trabalho em questão está em publicação no New England Journal of Medicine Evidence.

A lacuna científica que este estudo começa a preencher é a de que, historicamente, os pacientes com HbSC são excluídos de todos os estudos com hidroxiureia em doença falciforme, e um dos raro estudos que incluiu essa subpopulação teve que ser encerrado precocemente por baixo recrutamento.

Métodos

Estudo duplo cego, placebo controlado, para pacientes de 5-50 anos, 100 crianças e 100 adultos, em uso de hidroxiureia 20mg/kg ou placebo por 12 meses.
Endopoints do estudo:
Toxicidade limitante de dose – desfecho primário (o desenho desta avaliação foi de não inferioridade com margem de 15%)
Baseada primariamente em citopenias
Foram 123 crianças e 120 adultos incluído, sendo 107 no grupo hidroxiuréia e 107 no grupo placebo. Quanto às características da população, pode-se perceber que a maioria deles já tiveram crises vasoclusivas e mais de cinco internações por HbSC (70% das crianças e mais de 90% dos adultos). A mediana de hemoglobina das crianças era de 10.6 g/dL e do adultos 11 g/dL.

Resultados

O braço hidroxiuréia apresentou aumento mediano de 10% de hemoglobina fetal e 1g/dL de hemoglobina, porém, pelo fato de o estudo ter encontrado 22% de toxicidades limitantes de dose (todas relacionadas a citopenias assintomáticas), e a margem de inferioridade tolerada ser de 15%, o estudo foi considerado negativo conforme seu desfecho primário.
Os fatores de risco identificados para ter maiores toxicidades limitantes de dose foram:
Idade avançado
Menor plaquetometria baseline
Tamanho do baço ao diagnóstico
Tem alta viscosidade sanguínea ao diagnóstico (300 cP)
Apesar de o desenho do estudo não ter sido para avaliação de eficácia, foram encontradas
incidência de risco relativo (IRR) de 0,38 para crises vasoclusivas no grupo em uso
de hidroxiuréia comparado ao placebo, sendo a hidroxiuréia, portanto, um fator
protetor para tais complicações
IRR 0,42 para malária no grupo hidroxiuréia comparado ao placebo
IRR de 0,41 para qualquer complicação referente a HbSC

Mensagem prática

Em uma população com tamanha dificuldade de tratamento e complicações crônicas que cursam com alta morbidade, a implementação da hidroxiuréia como opção terapêutica para mitigar complicações de forma segura é um respiro de esperança para pacientes e médicos! Apesar de ser tecnicamente um estudo “negativo” – por conta da margem de inferioridade tolerada para toxicidades, vimos que as toxicidades
observadas foram assintomáticas e relativas a citopenias manejáveis, que portanto não necessariamente limitarão o uso da droga.

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