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Neurologia26 dezembro 2024

Triptanos são seguros em pacientes com risco cardiovascular?

Confira o que foi apresentado no estudo conduzido pela Mayo Clinic sobre os efeitos do uso de triptanos no tratamento da enxaqueca.
Por Jesus Ventura

Os triptanos são drogas utilizadas no tratamento abortivo de crises de enxaqueca. São medicações agonistas de receptores serotoninérgicos 5HT   e 5-HT, tendo como mecanismo de ação efeito vasoconstritor, redução de inflamação e melhora da dor. Potenciais efeitos colaterais envolvem eventos cardiovasculares, cardíacos ou cerebrovasculares, como infarto do miocárdio, ataque isquêmico transitório ou acidente vascular cerebral (AVC). Desse modo, são drogas que costumam ser evitadas em pacientes com risco cardiovascular de eventos adversos.  

São escassos estudos que envolvem avaliação e segurança dessas drogas em pacientes com risco cardiovascular. Assim, a equipe da Mayo Clinic conduziu um estudo randomizado hipotético, pegando dados observacionais coletados de banco de dados de sistema de saúde norte americano, de 2000 a 2022, para avaliação de eventos adversos cardiovasculares em pacientes com enxaqueca, que fizeram uso de triptanos.  

Métodos do estudo

O estudo randomizou dois grupos de pacientes: um grupo onde o tratamento instituído para a crise de enxaqueca foi algum triptano e o outro grupo que tenha recebido tratamento sem triptano. Foram incluídos pacientes com pelo menos 1 ano de história de enxaqueca, com ou sem aura; doença cardiovascular ou cerebrovascular documentada, ou 2 fatores de risco (p.e. DM, dislipidemia, HAS); pacientes que estivessem a pelo menos 1 ano sem usar triptanos. Os desfechos avaliados incluíam eventos cardiovasculares maiores, como morte em 60 dias, infarto do miocárdio, AVC, Insuficiência cardíaca, ataque isquêmico transitório, necessidade de revascularização. Foram 3518 pacientes em cada grupo. No grupo triptano, o sumatriptano foi o mais prescrito.  

Discussão

A incidência de eventos cardiovasculares no grupo que recebeu triptano foi maior em comparação ao grupo sem tripatno (1,48% versus 0,37%). A incidência geral de eventos cardiovasculares permaneceu baixa mesmo no grupo tripatno. Opções novas a pacientes com contra indicações a triptanos são agonistas do receptor 5-hidroxitriptamina1F (lasmiditana) e antagonistas do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (tais medicações não estão disponíveis no Brasil ainda). O estudo apresenta limitações, como o fato de não saber qual dose de triptano o paciente realmente utilizou e qual a perda de seguimento, relacionada a dados coletados retrospectivos. Ainda assim, houve percepção de que os triptanos podem aumentar a ocorrência de eventos cardiovasculares em pacientes com fatores de risco predisponentes para tal.  

Considerações práticas

– Medicações eficazes no tratamento abortivo de enxaqueca, recomenda-se que os triptanos sejam evitados em pacientes com histórico de eventos cardiovasculares ou fatores de risco para tal; 

– Novas alternativas ao seu uso, como os GEPANTS, ainda não estão disponíveis no Brasil.  

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