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Cirurgia30 janeiro 2026

Apendicetomia robótica, onde estamos?

Uso da apendicectomia robótica cresce rapidamente, mas ainda levanta dúvidas sobre tempo operatório, custos e real benefício clínico.
Por Felipe Victer

Muito se discute as modernidades nas áreas da medicina que além de envolver custos, pode também envolver melhores desfechos aos pacientes. 

Como em qualquer área há uma demora para agregar a tecnologia ao cotidiano, um exemplo bastante característico são os telefones celulares, item de luxo para poucos nos primórdios que se popularizou.  

Posteriormente, chegaram os smartphones, que de forma semelhante aos telefones iniciais, poucos o possuíam e o uso era bastante restrito. Atualmente, é raro encontrar uma pessoa que não esteja totalmente vinculada a um smartphone, seja para trabalho e/ou lazer.  

Com a cirurgia robótica, talvez estejamos em um movimento semelhante ao telefone celular, onde o custo e o benefício são questionados inicialmente, porém após um determinado tempo a incorporação se torna inexorável. 

Um breve estudo, publicado como nota científica, levanta os dados de apendicectomia robótica.  

apendicetomia robótica

Métodos 

Uma coorte retrospectiva, utilizando o banco de dados de 70 hospitais no estado do Michigan (EUA), que comparou os dados das apendicectomias robóticas, laparoscópicas e abertas no período de 2016 a 2024.  

Resultados  

Um total de 41.484 apendicectomias foram registradas, sendo que 1.233 foram realizadas de forma robótica.  Durante o período do estudo o percentual de apendicectomias robóticas de urgência subiu de 20% para 79,7% ao longo dos anos (p<0,001), assim como o percentual de hospitais que realizam de 11% para 76%.  Também houve diferença estatística no tempo operatório com 64,6 min robótico, 46,2 min laparoscópico e 65,5 min aberta (p<0,001).  

Discussão  

Este estudo é uma das maiores séries de casos envolvendo apendicectomia e cirurgia robótica e demonstrou que o tempo da cirurgia robótica pode chegar a 40% maior que a cirurgia laparoscópica com desfechos semelhantes entre os métodos.  

A cada ano foi demonstrado um aumento de centros e também de procedimentos realizados com auxílio da plataforma robótica. No entanto é necessário determinar se os custos envolvidos e até potenciais danos, como foi identificado em outros trabalhos envolvendo as colecistectomias, também ocorrem nas apendicectomias. 

Devido ao desenho do estudo não foi possível analisar os pormenores dos custos e nem das conversões da cirurgia robótica para laparoscópica ou aberta.   

Para refletir e levar para casa 

Acredito que como qualquer ser humano, o cirurgião também gosta de novidades e quando envolve a cirurgia torna-se fascinante. Desde o princípio sabemos que a plataforma robótica envolve maiores custos. Em contrapartida, mesmo com a melhoria dos movimentos, a cirurgia robótica é mais demorada que a cirurgia laparoscópica quando comparamos casos semelhantes.  

Ficou estabelecido de maneira “informal” que a utilização da plataforma robótica estaria restrita a casos de cirurgia maior e/ou que envolvesse muita sutura. Porém o que estamos observando é uma tendência de utilização do robô, mesmo em procedimentos menores como as apendicectomias e colecistectomias. A quebra do tabu ao redor do robô tem permitido a utilização nos cenários mais simples aos mais variados.  

Questiona-se se um cirurgião do futuro irá perder as habilidades laparoscópicas tornando-se exclusivamente robótico. Sabemos que pode ter um exagero na utilização nos casos mais simples, porém antes de criticar devemos nos perguntar se estamos no meio de uma fase de transição.  

Autoria

Foto de Felipe Victer

Felipe Victer

Editor Médico de Cirurgia Geral da Afya ⦁  Residência em Cirugia Geral pelo Hospital Universitário Clementino fraga filho (UFRJ) ⦁ Felllow do American College of Surgeons ⦁ Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões ⦁ Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Gastrointestinal e Endoscópica (Sages) ⦁ Ex-editor adjunto da Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (2016 a 2019) ⦁  Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Referências bibliográficas

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